Há três décadas. a China cresce a ritmo médio de 9,6% ao ano

País tem o maior volume de reservas globais, lidera a lista de credores dos EUA e é dono do maior mercado automobilístico

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE PEQUIM, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Tudo na China é superlativo e tem o tamanho de sua população de 1,3 bilhão de pessoas, o equivalente a 20% da humanidade. O país que acaba de conquistar o posto de segunda maior economia do mundo, à frente do Japão, também é dono do maior volume de reservas internacionais, produz quase metade do aço consumido no planeta, é o maior emissor de gases que provocam efeito estufa e está em primeiro lugar na lista de credores dos Estados Unidos.

A China cresce há três décadas a um ritmo médio de 9,6% ao ano, algo inédito na história mundial recente. A prosperidade econômica retirou da pobreza 500 milhões de pessoas, segundo cálculo do Banco Mundial, e mudou de maneira radical o modo de vida dos chineses.

Quem tem hoje 40 anos nasceu em um país fechado para o mundo e mergulhado no turbilhão da Revolução Cultural (1966-1976), na qual tudo o que tivesse relacionado ao Ocidente ou à "burguesia decadente" era condenado.

Hoje, vive em uma China que é o maior mercado automobilístico do mundo - 13,6 milhões de veículos vendidos em 2009 - e que consome com voracidade marcas de luxo globais, verdadeiras e pirateadas.

O país no qual o telefone era um luxo há 30 anos exibe hoje o maior número de usuários de celulares e de internet do planeta, 800 milhões e 420 milhões, respectivamente.

Mas o vertiginoso crescimento levou à devastação de recursos naturais, à severa poluição e ao aumento das "contradições" dentro da sociedade chinesa, para usar um termo caro ao governo de Pequim.

Pobreza. A China ainda tem 150 milhões de pessoas que vivem com menos de US$ 1 ao dia, a linha de pobreza do Banco Mundial, e abriga em seu território regiões que parecem estar em períodos históricos separados por décadas.

A próspera Xangai tem um PIB de US$ 228 bilhões - maior que o de muitos países - e uma renda per capita de US$ 11,3 mil, seis vezes mais que a média recebida pelos moradores de Gansu, província no noroeste da China.

O país que acaba de superar o rico Japão no ranking das maiores economias do mundo ainda tem 53% de sua população na zona rural. São 700 milhões de pessoas que tiveram renda líquida de US$ 750 em 2009, menos de um terço da que foi obtida pelos moradores das cidades.

De acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB chinês alcançará em 2010 o valor de US$ 5,4 trilhões, o que ainda representa um terço do americano. E sua renda per capita estará em US$ 4 mil, o equivalente a 10% da obtida pelos japoneses.

Maior do mundo. Muitos analistas acreditam que a China poderá superar os Estados Unidos e se tornar a maior economia do mundo em 20 anos. Mas com sua gigantesca população, o país asiático ainda terá um PIB per capita bem distante do americano.

O contraste entre a proeminência econômica global e a precária situação social em que muitos de seus habitantes vivem levou o colunista do Financial Times Martin Wolf a classificar a China como uma "superpotência prematura".

A sinóloga americana Susan Shirk usou o termo "superpotência frágil" no título de livro sobre a China que lançou em 2007. "São as fragilidades internas da China, e não sua crescente força, que representam o maior perigo", escreveu Shirk, professora da Universidade da Califórnia que trabalhou no Departamento de Estado durante o governo de Bill Clinton.

A emergência econômica global talvez tenha chegado rápido demais para as autoridades de Pequim, que gostariam de ter mais tempo para concentrar suas energias na solução dos problemas domésticos, antes de serem cobradas a assumir responsabilidades globais inerentes à posição de superpotência.

Entre os inúmeros desafios à frente do Partido Comunista, um dos mais urgentes é a mudança do modelo de desenvolvimento da China, com redução da dependência de investimentos e exportações como motores do crescimento e aumento do peso do consumo doméstico.

Para isso, precisam desenvolver uma rede de seguridade social que incentive os chineses a pouparem menos e gastarem mais, tarefa que vai levar alguns anos.

Grandeza

13,6 milhões é o número de veículos vendidos na China em 2009

800 milhões é o número atual de usuários de celulares na China

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.