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‘Há vulnerabilidade a movimentos de manada’, diz economista-chefe da XP

Para Zeina Latif, mercado está sem referência e presidente do BC poderia ter sido mais contundente

Entrevista com

Zeina Latif, economista chefe da Xp Investimentos

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 04h00

O mercado brasileiro está sofrendo um efeito manada, no qual os investidores copiam a ação de outros irracionalmente, na avaliação da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. “O mercado não está vendo no horizonte notícias positivas, ficou sem referência e vulnerável a movimentos de manada.” 

 

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O que causou essa tensão no mercado financeiro?

Nos últimos dias, não vimos movimento no exterior que justifique o comportamento de preços dos ativos no Brasil. O País descolou do mundo. O mercado não está vendo no horizonte notícias positivas, ficou sem referência e vulnerável a movimentos de manada. Está muito sensível a qualquer ruído, inclusive a movimentos do próprio mercado. O clima é ruim e aí o mercado começa a avaliar risco, a procurar notícias boas e não encontra. Até quem acha que não está tão ruim olha o comportamento do mercado e copia. A gente já vinha de uma piora na economia, mas não teve um fato novo para justificar essa pressão.

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Há espaço para a Selic subir?

Seria equivocado. Se a economia tivesse aquecida, com a inflação subindo, até entenderia. Mas temos um quadro de ociosidade. Aumentar os juros agora poderia até piorar o sentimento do mercado. Foi o que aconteceu quando o Banco Central manteve os juros (em maio), todos pensaram: ‘Se o BC mudou de ideia é porque está preocupado, então também tenho que estar’. 

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O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, indicou que não deve aumentar...

Eu preferia que ele tivesse sinalizado de forma mais contundente que não haverá alta por um bom tempo. Mas concordo que essa fala já ajudou.

Durante o dia, economistas do mercado financeiro estavam falando que o BC precisava se pronunciar. A entrevista acalmou os investidores?

Vários colegas estavam nessa linha: ‘Cadê o BC?’. Se deu para acalmar, vamos ver. É essencial ver como o mercado abre amanhã. Mas havia espaço para uma fala mais contundente.

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Qual o impacto da tensão do mercado na economia real?

Essa volatilidade gera uma incerteza grande para quem depende do câmbio, que fica sem saber como conduzir os negócios. Também impacta no PIB. Quando se tem movimentos no câmbio, no curto prazo o efeito é de contração na a economia, por causa do preço dos insumos. Os custos sobem e você não consegue substituir de uma hora para outra.

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O Brasil pode ser a próxima Argentina, que precisou recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para conter o câmbio?

Do ponto de vista dos fundamentos externos, estamos melhor, temos reservas e a economia não é dolarizada.

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