Habitação precisa de R$ 280 bi

Investimento é necessário para acabar com o déficit

Alberto Komatsu e Rosângela Dolis, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2007 | 00h00

A destinação de mais R$ 3 bilhões do FGTS para o setor habitacional é um passo importante para o País reduzir o déficit de moradias, de cerca de 8 milhões de unidades. Mas o aumento dos recursos é apenas um começo. "Supondo que cada imóvel custe R$ 35 mil, chegamos à cifra de R$ 280 bilhões. Esse seria o montante para eliminar o déficit habitacional no País. Em 12 anos, significaria ter de investir cerca de R$ 22 bilhões por ano no setor", calcula o presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Comerciais e Residenciais de São Paulo (Secovi-SP), João Crestana.Segundo ele, nos últimos anos, o governo tem destinado cerca de R$ 5 bilhões do FGTS para o financiamento de imóveis. "É um número baixíssimo, especialmente se considerarmos que o fundo tem disponível cerca de R$ 50 bilhões para habitação." Ele avalia que o aumento do volume destinado ao setor é bastante positivo e vai beneficiar famílias de baixa renda.O superintendente-geral da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), José Pereira Gonçalves, afirma que o reforço no orçamento ocorreu em razão da demanda mais forte dos bancos privados por esses recursos para financiar a população que tem renda entre R$ 1.875 e R$ 4.900. O Itaú e o Real foram os primeiros bancos privados a firmar convênio com a Caixa Econômica Federal para repassar recursos do FGTS em financiamentos habitacionais. Para 2008, o Itaú, que já oferece a opção desde o dia 7, reservou com a Caixa um total de R$ 1bilhão para essas operações. O Real, que oferecerá o financiamento a partir de janeiro, fez uma reserva de recursos inicial de R$ 350 milhões, mas, diante da verba suplementar de R$ 3 bilhões liberada ontem pelo Conselho Curador do FGTS, deverá elevar o valor, segundo Antonio Barbosa, superintendente executivo do Banco Real. Outros bancos privados também estudam oferecer financiamentos com recursos do FGTS, entre eles, Bradesco e Santander.O forte crescimento do crédito imobiliário com recursos da poupança no segmento de imóvel avaliado em até R$ 120 mil a R$ 130 mil - nicho em que atuam as linhas com recursos do FGTS - tem motivado os bancos a buscarem fontes de financiamento mais baratas, como o FGTS. Segundo Barbosa, "hoje 70% do total de financiamento com recursos de poupança atende a essa faixa de preço, o dobro de 2005".

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