Fred Prouser|Reuters
Fred Prouser|Reuters

Hackeando o hackathon

Tradição do setor de tecnologia, sessões que só terminam com soluções entram para o mainstream corporativo

The Economist

11 de dezembro de 2015 | 05h00

Movidos a curiosidade, know-how de programação e cafeína, há uma década os geeks se esbaldam com seus “hackathons”. Em sessões que se estendem por várias horas, e com frequência avançam noite adentro, engenheiros de software encontram soluções para bugs e desenvolvem ideias novas. O botão “curtir” do Facebook nasceu numa dessas sessões notívagas de programação.

Mas os hackathons já não são domínio exclusivo dos fanáticos por tecnologia. Segundo Rob Spectre, da desenvolvedora de softwares Twilio, centenas de empresas, dos mais variados segmentos, passaram a adotar a prática, que até dois anos atrás tinha pouquíssimos adeptos fora do setor de tecnologia. Companhias aéreas, montadoras de automóveis, empresas de telecomunicações, cervejarias e bancos, entre outros, agora também organizam os seus hackathons.

No mês passado, um grupo de companhias ferroviárias da Grã-Bretanha realizou uma sessão de 48 horas a bordo de um trem. Uma das equipes bolou uma maneira de escanear os vagões de uma composição e avisar aos passageiros em quais deles seria possível encontrar assentos vazios. Entre os dias 5 e 6 deste mês, a administradora de cartões de crédito Mastercard realizou seu 13.º hackathon de 2015: uma espécie de final, coroando a realização de uma dúzia de “campeonatos” regionais.

Os hackathons podem ser organizados de várias formas, mas de modo geral os participantes passam um ou dois dias tentando encontrar soluções para determinado problema. E a equipe vencedora geralmente recebe algum tipo de prêmio. Por maior que seja a improvisação, às vezes, surgem ideias incrivelmente originais. Há casos em que o hackathon é um evento interno da companhia, oferecendo aos funcionários a oportunidade de trabalhar com novas equipes e ampliar sua experiência. Todos os anos a empresa de armazenamento em nuvem Dropbox organiza uma “hack week”, uma semana durante a qual seus funcionários têm liberdade para trabalhar no projeto que quiserem. Os estúdios Disney fazem quatro hackathons internos por ano.

Em sua maior parte, porém, os hackathons são eventos externos, destinados a fortalecer a imagem da empresa com os desenvolvedores de softwares. Algumas companhias veem neles essencialmente uma boa ferramenta de relações públicas, incluindo-os em seus orçamentos de marketing. Outras os utilizam como instrumento de recrutamento. Os hackathons revelam quais participantes são capazes de se concentrar e trabalhar sob pressão, e isso é uma boa maneira de identificar talentos, diz Sebastien Taveau, da Mastercard.

Os hackathons organizados por universidades têm atraído muitos patrocinadores corporativos. “As feiras de carreira” já não fazem sentido para os engenheiros, diz Jerry Filipiak, da desenvolvedora de softwares Comarch. “O hackathon virou o suprassumo das feiras de carreira.” A fim de disfarçar a agenda corporativa, os representantes dos patrocinadores muitas vezes adotam o título de “evangelistas de desenvolvimento”.

Com os hackathons ganhando o mainstream, adaptações vêm sendo feitas para atingir um público mais amplo. Algumas empresas experimentam realizar reuniões mais curtas, servir alimentos mais saudáveis e oferecer um “espaço kids”, com o intuito de atrair mais mulheres, diz Susan Danziger, da desenvolvedora de softwares de vídeo Ziggeo. Os puristas sem dúvida deploram o fato de os hackathons estarem abandonando suas raízes nerds, mas nem todos se mostram tão intransigentes.

Afinal, qual o problema de hackear o hackathon?

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

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