Haroldo Lima questiona competência legal da CVM para puni-lo

'A CVM deve fiscalizar empresários e acionistas e eu não sou nem empresário e nem acionista', diz diretor da ANP

Gerusa Marques, da Agência Estado,

15 de abril de 2008 | 17h32

O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, questionou nesta terça-feira, 15, após a audiência pública a que compareceu na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, a competência legal da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para eventualmente puni-lo pelo anúncio dos dados do megacampo Pão de Açúcar. Veja também:Procurador do MPF vai avaliar declarações de Haroldo LimaPão de Açúcar: País pode ter o terceiro maior campo de petróleo do mundo'Brasil pode se unir à Opep', diz jornal americanoDescobertas vão render R$ 160 bi Novo megacampo no Brasil mexe com bolsas de Londres e Madri A história e os números da Petrobras  A maior jazida de petróleo do País  A exploração de petróleo no Brasil   "A CVM deve fiscalizar empresários e acionistas e eu não sou nem empresário e nem acionista. Estava fazendo apenas uma palestra técnica", declarou, referindo-se à sua participação, na segunda-feira, no seminário sobre petróleo promovido pela Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro, quando foram veiculados os dados de Pão de Açúcar. Lima insistiu que os números de uma reserva cinco vezes maior do que o campo de Tupi e de 33 bilhões de barris haviam sido noticiados pela publicação americana World Oil. "Não fiz anúncio em nenhum instante. Estava fazendo uma exposição teórica, abordei informações que não são novas e de conhecimento de boa parte do público presente ao seminário", assinalou. Enfatizou que seria "incorreto" se houvesse revelado informações inéditas. Reafirmou que, ao abordar Pão de Açúcar, não se referiu a informações oficiais. "Não há fontes oficiais sobre esse assunto. Qualquer dado oficial teria de ser comunicado à ANP", completou. Acentuou que ao comentar Pão de Açúcar, em momento algum estava "referendando" o noticiário da World Oil. "Não referendei nada, mas apenas comentei a possibilidade de grande crescimento das reservas da bacia de Santos. Falei o que estava na imprensa", declarou. Senadores que participaram da audiência pública, convocada para discutir a legislação sobre pagamento de royalties do petróleo, afirmaram que se as declarações de Haroldo Lima tivessem sido feitas por outro dirigente, não teriam tido a mesma repercussão.  As afirmações do diretor-geral da ANP no Rio, na segunda, não só fizeram subir as cotações das ações da Petrobras na Bovespa como influenciaram nesta terça as cotações de empresas petrolíferas na Bolsa de Londres e provocaram manifestações da Opep em Viena e da Agência Internacional de Energia (AIE), em Genebra.

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