Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Havan deve retomar processo de abertura de capital no ano que vem

Empresa queria lançar seu IPO já em 2020 e mirava o valor de mercado de R$ 70 bilhões, mas desistiu; agora, vai esperar cenário mais favorável

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 05h00

A varejista Havan vai tentar retomar seu projeto de oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no ano que vem, perseguindo a avaliação que não conseguiu atingir em 2020. A varejista, comandada pelo empresário Luciano Hang – que costuma se envolver em polêmicas e é apoiador de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro –, não conseguiu convencer o mercado em 2020 de que deveria chegar à Bolsa avaliada em R$ 70 bilhões

Hang participou das conversas preliminares com investidores desde agosto, usando suas tradicionais camisetas com frases patrióticas. No entanto, não conseguiu convencer o mercado sobre o preço pretendido em um momento em que o mercado brasileiro tem uma sobreoferta de candidatas a IPOs.

Na época em que a varejista desistiu do IPO, uma fonte do setor disse que o modelo da Havan não é tão fácil de se entender – logo, seria necessário analisar mais a proposta. No início das tratativas, o empresário tinha colocado como alvo um valor de mercado de R$ 100 bilhões. Quando as conversas efetivamente começaram com os bancos, no entanto, esse valor já havia sido reduzido a R$ 70 bilhões. E nem assim a operação saiu do papel.

O prospecto da companhia, posteriormente retirado, havia sido protocolado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no fim de agosto. A empresa citava investimentos em expansão de lojas e do centro de distribuição, aportes em tecnologia e reforço no capital de giro. 

A varejista foi criada em Santa Catarina e hoje tem 147 lojas físicas – muitas delas têm uma réplica da Estátua da Liberdade no estacionamento. O IPO também englobaria a venda de uma fatia da empresa por Hang.

No primeiro semestre, a Havan teve prejuízo líquido de R$ 127,5 milhões, ante lucro líquido de R$ 193,9 milhões no mesmo período de 2019. A receita líquida, de janeiro a junho, foi de R$ 3,27 bilhões, ante R$ 3,63 bilhões, considerada a mesma comparação.

Com o mercado muito seletivo e com muitas ofertas na rua neste fim de 2020, a quantidade de empresas desistindo de ofertas vem aumentando – foram 14 nas últimas semanas. No entanto a janela segue aberta, e o ano já é de recorde de emissão de ações na B3, a Bolsa paulista: o volume já supera R$ 95 bilhões, ante R$ 90 bilhões ano passado, a máxima anterior.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.