Haverá novas medidas anticrise, diz Mantega

Para ministro, País tem um mercado consumidor vigoroso e uma boa situação fiscal para enfrentar o cenário de crise internacional

RICARDO LEOPOLDO, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h04

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que a desvalorização do câmbio é um reflexo da crise internacional e deve estar ocorrendo especialmente por causa dos problemas econômicos da Europa.

"A Europa tem instrumentos para resolver o problema, mas parece que só o agravamento levará (o Continente) a buscar solução", comentou. "Acredito que as autoridades europeias não deixarão a crise degringolar. Se isso ocorresse, a crise ficaria pior que a do Lehman Brothers (2008)."

Mantega afirmou que, em um cenário otimista, a crise internacional deve fazer com que o mundo cresça pouco por vários anos. "Temos de nos preparar para essa situação", comentou. "Mas temos plenas condições de enfrentar esses desafios, pois, entre outros fatores, temos um mercado consumidor vigoroso e a situação fiscal é ótima", disse, ressaltando que o governo praticamente já conseguiu cumprir a meta do superávit primário do ano.

No acumulado em 12 meses até outubro, o setor público consolidado registrou um saldo positivo R$ 133,6 bilhões das receitas sobre as despesas, sem levar em consideração gastos com juros, o que equivale a 3,33% do PIB.

"O Brasil vai continuar crescendo", disse. O ministro destacou que o governo continuará defendo o setor produtivo nacional em uma conjuntura de acirrada competição para exportações, sobretudo de manufaturados em diversos países no mundo. "Isso não é protecionismo, mas uma legítima política de defesa comercial."

Mantega afirmou que o governo está atento e vai tomar medidas para permitir que a economia continue crescendo a ponto de atingir o patamar de expansão do PIB entre 4,0% e 4,5%. "Houve desaceleração até outubro, mas a economia voltou a acelerar em novembro", comentou. "Podem investir, podem consumir, pois a economia vai funcionar. Teremos um Natal bom."

O ministro da Fazenda afirmou que a crise internacional já começa a provocar efeitos baixistas nos preços de commodities, especialmente os alimentos. "A inflação está bem comportada e há perspectiva de queda de preços de commodities. Não há pressão de preços, a situação (da inflação) é confortável."

Setor têxtil. O ministro se reuniu em São Paulo, com representantes do setor têxtil e disse que vai tomar medidas ainda este ano para estimular a atividade do segmento. Não antecipou as medidas, mas disse que passarão por redução de tributos.

O setor têxtil está entre os que mais empregam no País e tem um quadro de 1,8 milhão de trabalhadores. O ministro declarou que não pretende deixar este segmento destruir empregos. Mantega diz que está preocupado porque as importações do setor cresceram 38%. "O que me deixa preocupado é que o consumo cresceu 14% e o setor têxtil teve retração de 16%", disse, justificando a necessidade de medidas para proteger o setor. O ministro também afirmou que não vai deixar o País voltar a ser um entreposto comercial. "Isso é voltar no passado."

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