Haverá perdedores na Alca, diz embaixadora dos EUA

A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, admitiu nesta sexta-feira que haverá ganhadores e perdedores em todos os países com a criação da Alca, prevista para entrar em vigor em 2006. "As negociações da Alca não solucionarão os problemas de todos; é preciso criar mecanismos para ajudar os setores mais afetados pelo livre comércio na região durante o período de transição até a tarifa zero", afirmou.Donna cobrou de Brasil e Estados Unidos responsabilidade e afirmou que a União Européia (UE) está mais unida e cresce cada vez mais. "Além disso, tem a ameaça da China que está olhando para o mercado americano", afirmou. "Eu sou 100% Alca", disse.A embaixadora afirmou que o Brasil não é visto como aliado nos Estados Unidos e vice-versa. "É difícil mostrar que queremos trabalhar juntos na questão dos subsídios dos Estados Unidos e Japão. Precisamos ser aliados sempre", defendeu. Para ela, a cúpula Lula-Bush ? o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá, no próximo dia 20, com o presidente americano George Bush, em Washington -, vai refletir a colaboração entre os dois países "mais ampla do que a Alca".A embaixadora dos EUA disse também que há muitos "inimigos" da Alca no setor empresarial do Brasil. "Quando vim para São Paulo, me falaram para ter cuidado com os empresários da Fiesp porque eles eram inimigos da Alca", disse, arrancando risos dos empresários que participam de um seminário sobre a implantação da Alca na Câmara Americana de Comércio (Amcham). Ele disse que a Alca está ligada às reformas domésticas de todos. "Temos de fazer tudo para crescer e combater as nossas pobrezas. Isso está dentro da estratégia de governo do presidente Lula", afirmou.

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