André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Henrique Meirelles deixa o Ministério da Fazenda

Filiado ao MDB, ministro da Fazenda anuncia que deixa o cargo, mas que só disputará eleições caso seja candidato à Presidência da República

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2018 | 11h34

BRASÍLIA-  O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, confirmou nesta sexta-feira que deixará o cargo. O atual secretário-executivo da pasta, Eduardo Guardia, será o novo ministro. 

Após anunciar sua saída da Pasta, Meirelles disse que ainda vai "contemplar" a possibilidade de ser candidato nas eleições deste ano. Ele enfatizou que só se candidatará à Presidência da República, e não a outro cargo, incluindo o de vice-presidente.

"Isso é um projeto em andamento. Vamos analisar a candidatura com o partido e agentes da sociedade", afirmou. "Vou analisar a possibilidade de uma candidatura à Presidência. Não pretendo ser candidato a vice-presidente e não há a menor possibilidade de me candidatar a governador ou senador", completou. Ele não fixou uma data para anunciar se será de fato o candidato do MDB à Presidência. "Temos agora um tempo de avaliação, conversas e viagens para amadurecer todo esse processo", limitou-se a responder.

+ Necessidade de financiamento pode desidratar pretensões de Maia e Meirelles, diz professor da FGV

Recuperação da economia. “Hoje encerro um ciclo muito importante na minha vida. Sempre me coloquei a serviço do Brasil independentemente de partido ou governo. Tenho bastante orgulho de ter ajudado o País a sair de crises importantes e sérias em dois momentos diferentes”, afirmou.

Meirelles disse que as crises econômicas tiram comida do prato das famílias, cria desemprego e tira a esperança das pessoas. “Considerei sempre que era uma prioridade fundamental tirar o Brasil da crise e colocar o País na rota do crescimento”, completou.

O ministro disse acreditar que a missão de um servidor público é construir uma sociedade justa e inclusiva. “Se as últimas crises vieram do exterior, essa veio do governo anterior. Encontramos em 2016 perda de renda, inflação e aumento da pobreza, decorrentes da irresponsabilidade fiscal e da falta de respeito com os pagadores de impostos”, repetiu.

+ Necessidade de financiamento pode desidratar pretensões de Maia e Meirelles, diz professor da FGV

Para Meirelles, o atual governo teve a coragem de submeter o Brasil a uma agenda econômica correta. “Em momentos de crise temos que tomar decisões difíceis. Os resultados estão aí. A inflação está controlada e nunca esteve tão baixa, a recessão foi superada e o desemprego começou a cair”, elencou.

O ministro defendeu ainda que o legado desse governo continue. “É preciso perseverar e insistir nas políticas que estão dando certo. O presidente Michel Temer garantiu que o novo ministro Guardia terá apoio para que a política econômica não se perca. Temos um horizonte e o importante é prosseguir na direção do que está dando certo”, concluiu.

+ Moro ordena prisão de Lula; acompanhe ao vivo

Questionado sobre o cenário econômico que deixará ao seu sucessor, Eduardo Guardia, Meirelles citou que o teto de gastos e outras medidas foram aprovadas, o que fizeram a economia voltar a crescer, com expectativa de alta de 3% do PIB neste ano.

“Evidentemente temos muitos desafios à frente, por isso é importante continuar e perseverar. Temos medias no Congresso como a reforma da previdência e a privatização da Eletrobras, além das mudanças no PIS/Cofins. O trabalho continua” respondeu.

+ Apreensão com prisão de Lula eleva retorno de títulos do Tesouro Direto​

Indefinição. Nos últimos dias, o ministro manifestou muitas  dúvidas em deixar o comando da economia para buscar um candidatura. Hoje cedo a percepção no Palácio do Planalto era a de que ficaria no cargo. As dúvidas que marcaram as últimas semanas sobre embarcar no projeto eleitoral ao lado do presidente Michel Temer se intensificaram depois da cerimônia de filiação ao MDB. Meirelles não queria ser candidato a vice-presidente e via na filiação uma oportunidade de encabeçar uma chapa, caso Temer desistisse da intenção de se candidatar. Mas essa garantia não está dada. Antes mesmo da filiação ao MDB, o ministro já estava indeciso, mas na cerimônia de filiação ao MDB teria "caído a ficha", segundo assessores, de que não conseguirá o apoio do partido para ser o cabeça de chapa na campanha ao Planalto. Aborreceu o ministro, sobretudo, a ausência das lideranças emedebistas na cerimônia e a pouca atenção dada a ele no marketing do evento, que contou com banners e um jingle que reforçaram a figura de Temer.

+ Apagão de março foi causado por falha humana, confirma ONS

Na manhã desta sexta-feira, 6, o presidente Michel Temer formalizou no Diário Oficial da União (DOU) a exoneração de sete ministros. Com exceção de Dyogo Oliveira, que sai do Ministério do Planejamento para presidir o BNDES, os outros seis deixam os cargos, a pedido, para se desincompatibilizarem e poder concorrer nas eleições deste ano. Meirelles tomou a decisão de sair da Fazenda após duas reuniões hoje com o presidente Michel Temer.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.