Herdeiro assume comando da Fiat

Mudança. John Elkann, de 34 anos, neto de Gianni Agnelli, será o novo presidente do grupo, no lugar de Luca di Montezemolo; chegada ao poder alimenta rumores de que empresa pode separar a unidade de automóveis das outras atividades da Fiat

, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

A Fiat, maior grupo empresarial da Itália, anunciou ontem que o herdeiro da família Agnelli e vice-presidente da empresa, John Elkann, de 34 anos, está assumindo a presidência. O anúncio alimentou especulações a respeito de uma possível cisão da divisão de automóveis do grupo.

Em Turim, executivos da Fiat disseram que o conselho administrativo vai aprovar formalmente a escolha de Elkann como substituto de Luca Cordero di Montezemolo em uma reunião marcada para hoje. A empresa também promete apresentar um plano de negócios quinquenal que vai incluir novos modelos e uma integração mais próxima com a americana Chrysler.

"Será um dia importante para a Fiat e para mim. Estou muito orgulhoso e destaco os esforços das muitas pessoas que me apoiaram e ajudaram durante todos estes anos. Sou muito grato à minha família pela confiança que depositou em mim", disse Elkann. "Penso em meu avô e no quanto ele teria gostado de poder estar aqui conosco."

O diretor executivo Sergio Marchionne, que comandou a recuperação da montadora depois de assumir o cargo em 2004, ano seguinte à morte de Gianni Agnelli - avô de Elkann e presidente do grupo por muitos anos -, manterá a posição de diretor executivo da Fiat e da Chrysler. Marchionne disse que o plano de negócios quinquenal será "ambicioso". No entanto, questionado se a nomeação de Elkann seria indício de uma cisão iminente da unidade de automóveis, afirmou que não.

A decisão mais sábia, para alguns analistas, seria o afastamento da Fiat Auto das demais empresas do Grupo Fiat - como as fábricas de caminhões e maquinário para a agricultura e construção -, com a posterior integração à Chrysler na formação de uma empresa separada.

Mentor. O anúncio da saída de Luca Cordero di Montezemolo, que foi mentor de Elkann desde que assumiu a presidência, em 2004, também foi feito ontem. Antes de tomar a decisão, ele disse ter esperado até que a empresa estivesse novamente em boas condições e um membro da família Agnelli estivesse pronto para assumir o controle. Montezemolo tornou-se presidente após a morte do irmão de Gianni Agnelli, Umberto, o último Agnelli a ocupar o cargo.

"Atualmente, a Fiat é uma empresa saudável e competitiva que cresceu em todos os seus setores", disse. "Não se fala mais na dramática possibilidade de uma concordata."

Há muito se esperava que Elkann assumisse um papel de mais destaque na liderança da empresa. Atualmente com 34 anos, ele começou a participar do conselho administrativo da Fiat aos 22 e foi nomeado vice-presidente em 2004.

Elkann participa do conselho desde dezembro de 1997, e sua nomeação para a vice-presidência se seguiu à chegada de Marchionne, que reverteu a situação da montadora após anos de perdas financeiras e agora tenta transformar a Fiat numa fabricante global de automóveis, produzindo entre 5,5 milhões e 6 milhões de carros ao ano.

O acordo para assumir no ano passado uma participação inicial de 20% na Chrysler foi um passo fundamental nesse sentido, e o novo plano de negócios deve trazer mais detalhes da estratégia destinada à aliança.

Nos últimos seis anos, Elkann trabalhou ao lado de Montezemolo e outros executivos de alto escalão para aprender o funcionamento da empresa. Ele também chefia a Exor - a holding da família por meio da qual os herdeiros de Agnelli controlam 30% da Fiat e de outros investimentos, como a equipe de futebol Juventus e o jornal La Stampa.

Luca Cordero di Montezemolo também chefiou desde 1991 a Ferrari, que é de propriedade majoritária da Fiat. Ele foi, ainda, o diretor executivo da empresa até 2006. Antes, ele tinha sido presidente e diretor executivo da Maserati, outra das marcas da Fiat, e presidente do grupo industrial italiano Confindustria. / ASSOCIATED PRESS, COM TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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