Heron critica mudanças no sistema de metas

O coordenador da Pesquisa de Preços da Fipe, Heron do Carmo, criticou a elevação do centro da meta de inflação para o próximo ano, de 3,25% para 4%, conforme anunciou hoje o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Segundo Heron, da forma que estava sendo conduzido o sistema de metas não era ideal, já que desde a introdução do sistema de metas no Brasil, em 1999, o centro vinha sendo reduzido a cada ano e a margem de flutuação sempre mantida em 2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo."Não é correto reduzir o centro e manter a margem, porque a cada ano que se passa os preços da economia brasileira se acertam mais", diz o coordenador da Fipe. Ele cita, como exemplos, os preços da telefonia e da gasolina, que desde que foram acertados não trouxeram mais transtornos em épocas de reajuste.Mas mexer na meta agora, diz o economista, parece não ter sido uma boa decisão porque poderá mexer com as expectativas do mercado, podendo até acarretar conseqüências indesejáveis para a taxa de risco Brasil."Sou a favor que se mantivesse a meta declinante. Se para o ano que vem a meta era de 3,25%, para 2004 ela deveria ser de 3%, com dois pontos para cima e dois para baixo." Heron questiona o por quê de o CMN não ter mexido antes na meta de inflação, já que o governo sabia do alto índice de reajuste que daria para as tarifas públicas."Era melhor que se introduzisse uma cláusula de escape ao sistema para que a inflação pudesse comportar um eventual reajuste de tarifas acima do esperado como ocorre na Nova Zelândia", disse.

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