Pablo Martinez Monsivais/AP
Pablo Martinez Monsivais/AP

Hillary Clinton critica acordo de comércio dos EUA

Pré-candidata democrata à presidência americana disse ser contrária ao tratado com outros 11 países negociado por Barack Obama

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2015 | 05h00

WASHINGTON - Prioridade da agenda externa do presidente Barack Obama, a Parceria Transpacífica (TPP) encontrou nesta quarta-feira a poderosa oposição da pré-candidata democrata à presidência Hillary Clinton. Aprovado por representantes de 12 países na segunda-feira, o tratado ainda precisa do aval do Congresso americano, onde enfrentará resistência do partido de Obama e de alguns integrantes da oposição republicana.

Com a declaração de Hillary, a TPP passou a ser atacada por todos os democratas que declararam sua aspiração de conquistar a vaga de candidato presidencial da legenda. Entre os republicanos, o tratado é criticado por Donald Trump, que lidera as pesquisas entre os que pretendem disputar a eleição do próximo ano.

“Eu disse desde o começo que nós temos de ter um acordo comercial que crie bons empregos americanos, aumente os salários e promova nossa segurança nacional, e eu ainda acredito que essas são as expectativas elevadas que temos de satisfazer”, declarou Hillary em entrevista à rede de TV PBS. “Eu não acredito que ela (a TPP) atenderá às expectativas que eu defini”, afirmou a pré-candidata. “Por enquanto, eu não sou a favor do que ouvi.”

O texto final do acordo ainda não é público e só deverá ser divulgado dentro de aproximadamente um mês. Depois de receber o tratado, os parlamentares terão 90 dias para votá-lo. Parlamentos dos outros países envolvidos na negociação também terão de decidir se aprovam ou não os termos do acordo.

Como secretária de Estado de Obama, Hillary ajudou a elaborar a política de “rebalanceamento” para a Ásia do presidente, que tem na TPP sua perna econômico-comercial. O acordo une países de ambos os lados do Pacífico que representam 40% do PIB global e um terço do comércio mundial. Segunda maior economia do mundo, a China está fora do tratado, que tem entre seus objetivos fortalecer os laços dos EUA com aliados da Ásia e conter a influência de Pequim na região.

A TPP já havia sido criticada pelo senador Bernie Sanders, que disputa com Hillary a nomeação do Partido Democrata para as eleições de 2016. O pré-candidato subiu nas pesquisas com um discurso crítico a Wall Street e às grandes corporações e simpático aos sindicatos e consumidores, o que forçou a ex-secretária de Estado a se mover um pouco para a esquerda.

Antes da entrevista à PBS, Hillary havia declarado durante discurso em Ohio que também via com preocupação o fato de a TPP não ter dispositivos que combatem a manipulação do câmbio pelos países participantes do tratado. A proposta foi discutida, mas acabou eliminada por resistência de governos asiáticos.

A pré-candidata afirmou ainda que “as companhias farmacêuticas podem ter mais benefícios e os pacientes, menos”. A TPP protege por um período de cinco anos informações relativas a drogas biológicas, desenvolvidas a partir de organismos vivos. Segundo a entidade Médicos Sem Fronteiras, esse capítulo encarecerá o preço de remédios e dificultará o acesso a determinados tipos de drogas por países em desenvolvimento.

Para aprovar o tratado no Congresso, Obama contará mais com os republicanos – favoráveis à abertura comercial – do que com seu próprio partido. A oposição foi fundamental para que o presidente conseguisse, em junho, a autoridade de negociação comercial que abriu caminho para a conclusão da TPP.

“Quanto mais as pessoas conhecerem o acordo, mais elas ficarão convencidas de que essa é a coisa certa a fazer para trabalhadores e empresas americanas”, disse Jeff Zients, diretor do Conselho Nacional de Economia da Casa Branca, em conferência telefônica com jornalistas. “Estamos confiantes de que ele ganhará apoio de ambos os partidos no Congresso.”

Impacto. O governo divulgou nesta quarta-feira um estudo que mostra o potencial impacto da TPP nas exportações de cada Estado americano, em um esforço para conquistar apoio da opinião pública ao tratado. Zients ressaltou que o acordo reduz ou elimina 18 mil tarifas incidentes sobre as exportações de bens e serviços dos Estados Unidos aos outros 11 países que participam da nova área de livre-comércio. “Esse é o maior corte de impostos sobre as exportações americanas em uma geração.”

Depois de ver o fechamento de fábricas e sua transferência para a China, os sindicatos americanos encaram com suspeita as negociações de abertura econômica. O temor é que os Estados Unidos percam mais empregos e que a liberalização comercial acentue a já elevada desigualdade de renda.

Zients disse que a TPP fará exatamente o contrário, ao expandir as oportunidades de emprego no setor exportador, onde o salário é em média 18% superior ao de outros segmentos.

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