História do patriarca da família daria roteiro de filme

Perfil: Erling Lorentzen

, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2010 | 00h00

Em 1940, quando os nazistas ocuparam a Noruega, Erling Lorentzen, então com 17 anos, se juntou à resistência e passou a Segunda Guerra destruindo depósitos de combustível do exército inimigo.

Depois do conflito, foi para os Estados Unidos, estudar negócios em Harvard. Mais tarde, voltou para a Noruega, para trabalhar com o pai, armador no país escandinavo. Também passou a trabalhar para a família real como instrutor de vela das filhas do rei Olav V. Acabou casando-se com a mais velha, Ragnhild.

Em 1953, Lorentzen trocou sua terra natal pelo Brasil. Veio para o País ajudar o pai nas relações com os agentes que representavam os negócios da família na América Latina. E começou a fazer fortuna com o Grupo Lorentzen.

Primeiro, comprou uma distribuidora de gás de cozinha colocada à venda pela Esso. Em 1963, fundou a sua própria empresa de navegação, a Companhia de Navegação Norsul (Norsul). A empresa é hoje uma das líderes no setor, especializada no transporte de cabotagem e de longo curso. O Grupo Lorentzen detém atualmente 70% do capital da empresa.

No final dos anos 60, Lorentzen começou a participar do projeto para a construção da Aracruz porque conhecia pessoas de empresas de celulose na Escandinávia, que poderiam fornecer tecnologia para a companhia brasileira. O empresário, que começou na Aracruz com apenas 5% de participação, chegou a ter quase um terço da empresa.

Apegado às tradições nórdicas, o empresário passou para os filhos o amor por seu país de origem. "Tenho muitos amigos lá que dizem que não me visitam porque é muito longe. Você nunca vai me convencer de que é muito longe porque eu faço isso sempre", afirma Haakon, filho mais velho de Erling, que em 2008 assumiu o controle do grupo Lorentzen.

Haakon Lorentzen conta que viaja duas a três vezes por ano para a Noruega. "Eu gosto muito dessa dualidade Noruega-Brasil", revela. No passado, conta, o grupo tinha outros noruegueses como sócios. Por isso, as viagens para a terra natal eram mais frequentes. Hoje o destino é apenas uma opção de férias. "Como nós tínhamos sócios lá, tínhamos de prestar contas. Algumas reuniões de conselho e reuniões de acionistas eram feitas por lá e não aqui", lembra.

O fundador do grupo, Erling Lorentzen, ocupa hoje a presidência do conselho de administração. Segundo o filho, o patriarca da família continua atuante nos destinos da holding. "Ele vai para o escritório, se envolve nas discussões", diz.

Além da Norsul, o grupo tem um investimento recente em ativos florestais no estado de Minas Gerais e cerca de 14% do capital da IdeaisNet, holding de 16 empresas no segmento de tecnologia e telecomunicações. Em 2009, depois de uma longa negociação entre os sócios, o grupo Lorentzen vendeu seu ativo mais famoso, a participação no bloco de controle da Aracruz.

Erling Lorentzen foi combatente da Segunda Guerra Mundial, casou-se com princesa, veio para o Brasil e se tornou um dos maiores empresários do País

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