Andre Wiegmann/Reuters
Andre Wiegmann/Reuters

Histórico de bancos estrangeiros é o de deixar varejo brasileiro

"O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa." O jingle publicitário que marcou toda uma geração de clientes do banco Bamerindus, nascido em Curitiba, se espalhou por todo o Brasil na década de 90. Arrebatou milhões de clientes, mas não foi suficiente para evitar as dificuldades financeiras do banco que teve de ser socorrido no governo Fernando Henrique Cardoso, em um programa de recuperação de bancos, e mais tarde foi vendido para o HSBC.

JOSETTE GOULART, Estadão Conteúdo

14 de junho de 2015 | 09h48

O banco inglês se instalou no Brasil, mas optou por se manter relativamente pequeno para um banco de varejo no País, seguindo a estratégia global de estar em todos os países mesmo que sendo pequeno. No Brasil, tem uma base de 10 milhões de clientes, enquanto um banco como o Bradesco tem 70 milhões. O resultado foi um encolhimento natural diante da concorrência, segundo especialistas.

Sobrevivente. Dos estrangeiros que se aventuraram no varejo brasileiro, o Santander foi um dos poucos sobreviventes de grande porte. O americano Citibank, por exemplo, que há 100 anos atua no Brasil, não conseguiu expandir suas atividades. Já o espanhol Santander entrou firme no País com um lance bilionário pelo Banespa. Mais tarde comprou o ABN, outro estrangeiro que havia entrado no Brasil ao adquirir o brasileiro Banco Real. O Santander chegou a virar alvo de uma tentativa de aquisição pelo banco Bradesco, segundo contam algumas fontes, mas o negócio nunca se concretizou.

Da história dos estrangeiros, o ABN Amro teve uma trajetória de sucesso ao ter escolhido manter a marca Real. A estratégia veio de uma clientela fiel. Tão fiel que ainda hoje é comum clientes cobrarem a volta do Real no lugar do Santander. A saída do ABN se deu, no entanto, porque o banco foi vendido no exterior e aqui no Brasil foi absorvido pelo banco espanhol.

Desafio. Assim como o holandês ABN, o HSBC também herdou uma clientela fiel, que agora deve ser um dos grandes ativos no leilão entre os maiores bancos brasileiros. O sócio da consultoria PwC, Antonio Toro, diz que o vencedor da disputa terá um desafio gigantesco: manter esse cliente, que será disputado pelos bancos que perderem a disputa. Além disso, o HSBC não terá mais tanto interesse em defender a manutenção desse cliente em sua carteira até a aprovação da venda do banco pelas autoridades. 

Na semana passada, o banco inglês passou um recado meio torto para os clientes brasileiros ao divulgar no exterior que venderia a unidade no Brasil. O anúncio de que fecharia as unidades levou muitos clientes a correr para sacar recursos ou buscar informações.

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