Felipe Rau/Estadao
Felipe Rau/Estadao

‘Hoje, as campanhas precisam ser compartilháveis’

Para que desperte a atenção das pessoas, diz Sanches, campanha precisa ser simples e ter fundo emocional

Entrevista com

Luiz Sanches, presidente da AlmapBBDO

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2018 | 05h00

O momento de uma ideia ser apenas emocionante ficou para trás. Hoje, segundo o presidente da AlmapBBDO, Luiz Sanches, a publicidade precisa perseguir um objetivo adicional: garantir que seus conteúdos sejam compartilhados. 

Como você recebeu o convite para ser presidente de júri?

Fui jurado em Cannes Lions três vezes. Essa é a primeira vez como presidente. Acho que é um baita prestígio porque você não vê muitos latinos como presidente de júri da parte de Film Lions. É algo dominado pelos anglo-saxões. 

Que parâmetros você vai buscar para distribuir os Leões?

Quando comecei na propaganda sempre pensava em fazer um filme memorável. Hoje, eu quero que essa ideia seja compartilhável. Para isso, o trabalho precisa ser simples, porque tem de falar com muitas pessoas. Além disso, deve ter uma execução exuberante. E, por fim, emocionar. Acho que o sentimento humano é o que nós, latinos, trazemos para a propaganda mundial. 

E quanto aos resultados de negócio para a marca?

O filme tem de trazer uma mensagem que só poderia ser daquela marca, que traga novos fãs para ela. A marca tem de aparecer de forma simpática e com um caráter aspiracional, que gere identificação. 

Afinal, Cannes Lions é um festival voltado à comunicação para as marcas. 

O pessoal começou a comparar Cannes Lions com outros festivais, como o South by Southwest. O festival Cannes Lions é um evento de comunicação, que envolve clientes, anunciantes, veículos e produtores de conteúdo. Só que ele fala da comunicação aplicada às marcas, à propaganda. Isso a gente não pode esquecer. Ainda mais num mundo tão fragmentado, em algum momento você tem de construir marca.

Com todas as mudanças na propaganda, o filme manteve sua relevância?

Sim. Com tantas mídias diferentes, você precisa de um porto seguro para contar uma história. E as melhores formas hoje são por meio de fotos, som e filme. O Netflix trouxe uma nova forma de consumir conteúdo de vídeo, com todos os capítulos das séries disponíveis de uma vez. O streaming no celular mudou a forma de consumir música. E o Instagram foi criado para compartilhar imagens. São as novas telas que a gente tem para pintar, mas elas continuam a ser preenchidas por filmes, fotos e sons.

Ou seja: as pessoas serão fiéis ao conteúdo, e não à plataforma?

As pessoas buscam ideias humanas, impactantes, simples e compartilháveis. Foi o que aconteceu com Retratos da Beleza Real, da Dove. Não era uma peça de 30 segundos. Mas é um exemplo em que a marca e o produto têm papéis bastante relevantes. 

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