Vivian Koblinsky
Vivian Koblinsky

‘Hoje, se investidor estrangeiro quiser ignorar o Brasil, ele pode’

Se o País conseguir garantir previsibilidade aos investidores, o fluxo de capital vai se direcionar para cá

Entrevista com

Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2021 | 05h00

A participação do Brasil nos portfólios de investidores globais, mesmo considerando os que só investem em países emergentes, está muito baixo. Por isso, esses investidores têm hoje a opção de “ignorar o Brasil”, comenta o estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira. No entanto, segundo ele, o Brasil não precisa fazer muito para atrair o grande fluxo de liquidez no mundo, fruto dos estímulos dos bancos centrais para mitigar os efeitos da crise trazida pela pandemia e pelos juros baixíssimos no mundo. Se o País conseguir garantir previsibilidade aos investidores, o fluxo de capital vai se direcionar para cá, comenta.

Qual sua percepção em relação ao mercado financeiro neste momento?

No Brasil, a gente se encaixa nesse cenário de recuperação cíclica de lucro, mas é preciso lembrar que Bolsa não é PIB. A expectativa de lucro para as empresas do Ibovespa é muito forte, crescimento anual de 170%, conforme o consenso de mercado.

E como está a Bolsa brasileira em relação aos pares estrangeiros?

A percepção em relação ao Brasil piorou com interferências políticas, questões em relação ao Orçamento e vários outros acontecimentos que aumentaram o risco Brasil. Com isso, ficamos atrás em relação a outros mercados.

E essa entrada mais recente de recursos de estrangeiros na Bolsa?

Os estrangeiros voltaram a comprar Brasil por conta de setores mais cíclicos e porque o País estava mais atrás em relação a outros países. Está passando um caminhão de liquidez lá fora. O Brasil não pode perder essa oportunidade. Mas se a macroeconomia se deteriora o estrangeiro tira do radar o Brasil e vai para outros emergentes e não sei quando haverá outro ano favorável em relação a liquidez e juros baixos.

Qual a exposição do estrangeiro em Brasil?

O Brasil ficou muito pequeno nos portfólios de estrangeiros, mesmo nos fundos dedicados a emergentes, com uma exposição atualmente de menos de 5%. Muito pouco perto do que já foi. Isso permite que, se o estrangeiro quiser, ele pode ignorar o Brasil.

Mas o que falta para esse fluxo se direcionar ao Brasil?

Para se atrair investimento de mais longo prazo é necessário ter previsibilidade, que passa por crescimento econômico, juros e taxa de câmbio. E câmbio muito volátil tira interesse do investidor de mais longo prazo. Essa questão da moeda é relevante. 

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