Christian Hartmann/Reuters
Christian Hartmann/Reuters

bolsa

E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Holcim rejeita acordo com Lafarge e coloca em risco fusão de cimenteiras

Suíça Holcim pede revisão do contrato firmado há um ano com a francesa Lafarge; empresas tentam resolver impasse até quinta-feira, data em que a companhia irlandesa CRH vai votar a aquisição de unidades das cimenteiras na Europa e no Brasil

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2015 | 02h05

Quase um ano após ser anunciada, a fusão que dá origem à maior cimenteira do mundo corre o risco de não acontecer. Nesta segunda-feira, a suíça Holcim rejeitou a proposta de 42 bilhões que estava sendo negociada com a francesa Lafarge, questionando os termos do acordo.

A cimenteira com sede em Paris disse que a Holcim "questiona os termos financeiros e a estrutura de governança" do acordo que foi aprovado em julho do ano passado. Em nota, a empresa garantiu que está disposta a revisar o acordo e "continua empenhada" para completar a fusão. A companhia suíça também está buscando uma renegociação em relação a "questões de governança".

Pessoas próximas ao assunto disseram que o conselho da Holcim quer colocar outro executivo-chefe para liderar as operações das companhias em caso de fusão, e não o executivo-chefe da Lafarge, Bruno Lafont. A Holcim questiona a capacidade de Lafont de poupar 1,4 bilhão por ano, valor que as empresas esperam gerar de sinergia com a fusão. Um porta-voz da Lafarge confirmou que planeja discutir se Lafont conseguiria levar o acordo de sinergias adiante, assim como o número de pessoas no conselho e a quantidade de membros que cada empresa teria na nova companhia.

"A chance de um colapso no negócio tem aumentado muito", disse Patrick Appenzeller, analista do Baader-Helvea, ao Financial Times. Segundo o jornal, alguns analistas têm comparado o impasse com o que acabou com a fusão entre as agências de publicidade Publicis e Omnicom, que desandou com uma luta de poder para assumir o controle do grupo.

Uma fonte com conhecimento das negociações disse ao The New York Times que as companhias devem chegar a um acordo até, no máximo, quinta-feira, data em que a empresa irlandesa CRH vai votar a aquisição de uma série de ativos das duas cimenteiras no mundo inteiro, no valor de US$ 6,9 bilhões. A venda dessas unidades da Holcim e da Lafarge, anunciada em fevereiro, tinha o objetivo de agilizar a fusão, facilitando a aprovação do acordo pelos órgãos regulatórios.

O negócio com a empresa irlandesa inclui operações na Europa, Canadá, Brasil e Filipinas. A transação marcaria a estreia da CRH no mercado brasileiro já como a terceira maior cimenteira do País, atrás da Votorantim e da InterCement (da Camargo Corrêa).

O pacote das operações no Brasil inclui três fábricas de cimento (Matozinhos e Arcos Jazida, da Lafarge, e Cantagalo, da Holcim), duas estações de moagem (Arcos Cidade e Santa Luzia, da Lafarge) e uma indústria de mistura pronta de cimento (Pouso Alegre, da Holcim).

Surpresa. O pedido de revisão do acordo foi enviado aos executivos da Lafarge no domingo. Segundo fontes, eles foram surpreendidos com a carta, uma vez que as duas empresas se encontraram na última sexta-feira para discutir os planos de integração.

O pedido de renegociação do acordo veio depois de uma divergência sobre os desempenhos das duas empresas, pois a performance operacional da Holcim, assim como os preços das ações, superaram os valores da Lafarge desde quando o acordo foi firmado.

Um aumento no franco suíço, causado pela decisão do Banco Nacional da Suíça de acabar com a ligação do franco local com a cotação do euro, também contribuiu para o pedido de renegociação dos termos. O franco suíço mais forte fez as ações da Holcim custarem mais em euros, moeda em que a Lafarge é negociada.

A renegociação dos termos do acordo é vista como uma ameaça à criação da maior empresa do setor de construção do mundo, que no ano passado, faturaram, juntas, US$ 33 bilião dólares. Sob os termos do atual acordo, a Holcim pagaria uma multa de 350 milhões à Lafarge, caso o negócio fosse desfeito. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Tudo o que sabemos sobre:
lafargeholcimO Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.