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Holland: aposta em crescimento negativo é ‘pessimista’

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland de Brito, utilizou dados antecedentes para afirmar que o terceiro trimestre "está bem" e para classificar como pessimistas as previsões de um crescimento marginal negativo no período. Ele mencionou que logo após a divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre já surgiram as previsões para o terceiro.

BEATRIZ BULLA E ALINE BRONZATI, Agencia Estado

19 de setembro de 2013 | 12h30

"A média do mercado tem operado com crescimento negativo no terceiro trimestre. Os indicadores antecedentes não mostram isso", comentou Holland, em evento organizado pelo Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Escola de Administração da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.

Ele mencionou a última Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que, disse, "surpreendeu o mercado e veio bem acima da mediana" das projeções. O secretário antecipou também dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) de setembro. Segundo ele, o crescimento dos licenciamentos de veículos está na ordem de 4,5% em setembro, considerando dados até a quarta-feira, 18. Holland mencionou que os dados de caminhões, também até a quarta-feira, "indicam crescimento de 10% em setembro".

Leilão BR-050

Holland disse que o governo comemorou o deságio "muito acima do esperado" no leilão da BR-050, o que confirma a rentabilidade do projeto. "O leilão de ontem demonstra que o governo está garantindo muita alta atratividade ao setor privado", disse. Ele afirmou também que desde o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) o Brasil tem focado em infraestrutura. "Investimento em infraestrutura custa caro, não investir é mais caro ainda".

Panorama Positivo

O secretário comentou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vem caindo consistentemente, que o ingresso líquido de capital em julho, agosto e setembro foi positivo no País e que o governo federal "vem conseguindo controlar as principais grandes contas do governo". "A dívida líquida brasileira vem caindo consistentemente", mencionando também a diminuição das despesas de pessoal em cargo.

O secretário ressaltou que o Brasil tem sido um grande receptor de investimento direto e mencionou que o crédito doméstico tem se expandido nos últimos anos com ampliação dos prazos de contratação, redução do spread e redução da inadimplência.

Em relação às desonerações feitas pelo governo, Holland disse que o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é um imposto "de grande importância para ajustes de estoque na economia" e afirmou que as desonerações "vem e voltam" conforme necessidade de ajustamento macroeconômico.

IPOs

Holland avaliou que o projeto que visa estimular empresas de médio e pequeno porte a abrir capital, os chamados IPOs, na sigla em inglês, deve ajudar substancialmente a aumentar as emissões de ações no Brasil num futuro próximo. "Esta iniciativa vai ajudar a promover um círculo virtuoso no Brasil", disse.

Segundo o secretário, desde 2004 o Brasil foi palco de quase R$ 300 bilhões em emissões de ações. "Este ano realizamos a maior oferta pública inicial de ações do mundo com a abertura de capital da BB Seguridade", destacou ele.

A BB Seguridade, holding que concentra os negócios de seguros do Banco do Brasil, captou R$ 11,4 bilhões em sua abertura de capital, cuja demanda total foi de três vezes o tamanho da oferta e contou com a participação de 240 investidores institucionais. A oferta turbinou o montante captado por empresas na Bolsa que, conforme a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), passa dos R$ 17 bilhões este ano, maior que todo o volume levantado em 2012, de mais de R$ 14 bilhões.

O projeto citado por Holland conta com a participação de várias entidades do mercado de capitais além do órgão regulador Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da BM&FBovespa e do BNDES. Depois de visitar vários mercados com experiências bem-sucedidas em estimular o acesso de pequenas e médias empresas ao mercado de capitais via emissão de ações, essas entidades tentam estimular este mercado no Brasil.

Estados Unidos

O secretário afirmou que o mundo assiste a uma recuperação gradual da economia norte-americana em 2013. Ele mencionou que na última reunião do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, houve uma redução da previsão de crescimento do país, de 2,6% para entre 2% e 2,3%. Holland lembrou, contudo, que o mercado calcula crescimento em torno de 1,6%.

"Talvez as autoridades americanas tenham de rever de novo o crescimento para baixo", comentou. Mencionou também que "nunca o comércio mundial cresceu tão pouco". Disse que o processo de recuperação em países da Europa e nos Estados Unidos é lento. Nos últimos cinco anos, tomando como ponto de início a crise de 2008, o mundo já passou por fases diferentes da economia. "A crise não é a mesma, não tem a mesma característica ao longo dos últimos cinco anos. É muito heterogênea", completou.

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