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Hollande conseguirá se impor contra o mercado financeiro internacional?

Governo da França depende demais de investidores estrangeiros para honrar seus compromissos.

Robert Peston, BBC

24 de abril de 2012 | 10h48

Apesar de François Hollande ter iniciado sua campanha pela Presidência da França se declarando um "inimigo do mundo das finanças", o candidato socialista e primeiro colocado no primeiro turno das eleições francesas no domingo é também um prisioneiro deste mundo.

O problema particular da França é que tanto o governo como a economia dependem de forma desproporcional da boa vontade de investidores e bancos estrangeiros.

De acordo com dados do FMI, 59% da dívida do governo francês está no exterior - o que significa que mais da metade dos empréstimos tomados pelo Estado francês não são influenciados por nenhum tipo de sentimentalismo ou patriotismo.

Para colocar em contexto, apenas 24,8% da dívida do governo da Grã-Bretanha estão na mão de credores estrangeiros. O governo francês precisa tomar emprestado o equivalente a 18,2% do seu PIB neste ano, e 19,5% no ano que vem, para conseguir cobrir as dívidas que estão vencendo.

Ou seja, se a França quiser manter o atual padrão de endividamento, o governo precisará contar com a boa vontade de investidores no exterior, para que eles continuem cobrindo dívidas que equivalem a 10% do PIB do país neste ano e em 2013.

Outra desvantagem da economia francesa está no papel do Banco Central. O Bank of England - o Banco Central Britânico - tem comprado muitos papéis da dívida do governo britânico. Já o Banco Central Europeu é proibido de fazer isso.

Greve de empréstimos

Hollande pode acreditar que o mercado financeiro internacional - como grandes bancos, fundos de pensão e fundos de hedge - é inimigo da França. Mas se uma guerra for mesmo declarada, os grandes bancos podem simplesmente fazer uma "greve de empréstimos" e parar de fornecer recursos ao governo francês.

No melhor dos cenários, isso aumentaria muito os juros cobrados do governo francês no mercado internacional. No pior, a França teria que pedir ajuda financeira ao FMI e aos fundos emergenciais da zona do euro.

Também não existe nenhuma possibilidade de Hollande apelar ao espírito patriótico dos bancos franceses. Eles já detém grande parte da dívida do governo, e muitos dos banqueiros nacionais consideram o presidente Nicolas Sarkozy "anticapitalista" e até mesmo esquerdista. A impressão deles de François Hollande é pior ainda.

Isso pode significar que haverá uma catástrofe financeira caso Hollande seja eleito no segundo turno?

Não necessariamente, e talvez muito pelo contrário. Hollande deve perceber que o governo francês não tem condições de negligenciar os investidores internacionais.

Muitos investidores influentes acreditam que Hollande é um político intrigante, que fala demais, mas não age necessariamente de acordo com suas convicções. Durante uma visita recente à Grã-Bretanha, o candidato socialista tentou passar a imagem de que não é tão perigoso para a City Londrina quanto as pessoas imaginam.

Um investidor com bastante experiência em ler o pensamento de políticos - o veterano George Soros - disse à BBC que tem suas dúvidas sobre a política econômica a ser adotada por um eventual governo Hollande.

Para ele, a probabilidade de o socialista tentar alterar o pacto fiscal europeu - que prevê medidas de austeridade em toda a zona do euro - é minima. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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