Hollande defende maior integração na zona do euro

Presidente disse que a França fará esforços para ampliar a cooperação entre os países da União Europeia; Hollande defendeu harmonização das políticas tributárias na UE

Sergio Caldas e Stefânia Akel, da Agência Estado,

14 de dezembro de 2012 | 13h34

BRUXELAS - A França se esforçará para aprofundar a integração da zona do euro e está disposta a ampliar a cooperação se seus parceiros da União Europeia não se opuserem, afirmou nesta sexta-feira, 14, o presidente da França, François Hollande.

"Sou a favor de levar a zona do euro a um novo nível. Se certos países não querem ir tão longe, ampliaremos a cooperação", disse Hollande durante coletiva após uma reunião de cúpula de líderes europeus, em Bruxelas.

A cooperação ampliada é um procedimento legislativo adotado pela UE, pelo qual um mínimo de países membros podem aprofundar a cooperação em certas áreas, excluindo nações que não queiram participar.

Para Hollande, o imposto sobre transações financeiras é um exemplo de como as coisas podem funcionar no futuro. Onze países, incluindo Alemanha, França e Itália, deram seu apoio ao tributo, que será estabelecido pela Comissão Europeia. A Lituânia, que pertence à UE, mas não faz parte da zona do euro, disse hoje que vai participar do processo de cooperação ampliada e adotar o imposto.

Hollande também criticou o Reino Unido por tentar repatriar poderes que seu governo já transferiu para à UE, dizendo que tratados não podem ser alterados "por capricho". "Quando um país faz um compromisso, é para a vida toda", comentou. "Os tratados devem ser respeitados. Não se pode retirar atribuições da Europa."

Hollande acrescentou que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, nunca apresentou uma proposta para repatriar poderes em uma reunião de cúpula da UE.

Impostos

A França vai pressionar por uma harmonização das políticas tributárias na UE, disse hoje François Hollande, poucos dias após o ator Gerard Depardieu se juntar ao fluxo de contribuintes ricos deixando o país para escapar dos altos impostos.

"Estamos harmonizando nossas políticas orçamentárias, então temos que harmonizar também nossas políticas fiscais", disse. "Harmonizar não significa simplesmente taxar empresas e indivíduos, significa também que precisamos nos garantir de que a diferença nessas taxas seja mantida em um nível que desencoraje os cidadãos da UE a procurarem por aí uma melhor situação fiscal para eles."

Desde que o governo socialista de Hollande anunciou a introdução de um imposto sobre 75% da receita dos cidadãos que ganham mais de 1 milhão de euros ao ano, alguns dos contribuintes mais ricos do país têm deixado a França para se instalarem em outros países com menor demanda fiscal.

Hollande afirmou que vai pressionar por uma revisão dos acordos fiscais da França com outros países que podem oferecer uma política tributária mais favorável. "Seremos forçados a revisar os acordos para combater casos de pessoas indo morar na Bélgica", disse, referindo-se a Depardieu.

O primeiro-ministro da França, Jean-Marc Ayrault, já havia criticado a ação de Depardieu, chamando-o de "patético" e "antipatriótico". As informações são da Dow Jones.

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