Hollande e Merkel afinam discurso

O presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, se encontraram ontem em Paris em uma tentativa de unificar seus discursos antes da cúpula de dois dias da União Europeia, que começa hoje em Bruxelas.

PARIS, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h02

Ambos concordaram que é preciso encontrar maneiras de fortalecer a união monetária e econômica no bloco e que os membros dessa união precisam estar preparados para ajudar uns aos outros.

Essa foi a primeira visita de Merkel a Hollande desde sua eleição, em maio. Os dois, que lideram as principais economias da zona do euro, têm divergido em assuntos importantes, em especial à proposta do líder francês para algum tipo de compartilhamento de dívida na Europa.

"A situação na Europa é séria. Nós precisamos construir a Europa de amanhã, forte e estável", comentou Merkel. "Nós precisamos de mais Europa. Uma Europa que funcione da maneira que os mercados querem. Uma Europa na qual os membros da união ajudem uns aos outros."

Hollande também destacou a importância de se aprovar progressos significativos na cúpula. Ele deu mais ênfase à questão da solidariedade, embora tenha reconhecido que existe uma necessidade de maior integração, o que sugere um controle mais centralizado sobre as políticas nacionais.

Já Merkel disse esperar que o pacote de estímulo ao crescimento de até 130 bilhões, anunciado na semana passada, seja aprovado no encontro. "Nós dois queremos aprofundar a união econômica e monetária, e posteriormente a união política, para obtermos solidariedade. Defendemos tanta integração quanto necessário, tanta solidariedade quanto possível."

Discurso doméstico. Mas antes do encontro em Paris com Hollande, em discurso no Parlamento alemão, Merkel não cedeu terreno em sua posição de combater a crescente crise de dívida da zona do euro por meio de uma ampla reforma orçamentária e política, rejeitando pedidos por grandes investimentos públicos para estimular o crescimento econômico. "Não existe solução rápida e fácil."

Merkel, que na terça-feira afirmou que não apoiará o compartilhamento de dívida soberana enquanto viver, disse que os eurobônus seriam contraproducentes. Segundo a chanceler, transformar a criação de bônus comuns em um imperativo político simplesmente "repetiria o erro original" feito no nascimento do euro com a criação de uma responsabilidade compartilhada sem primeiro ser estabelecida uma união política e fiscal.

"Precisamos atacar as causas do problema", declarou Merkel, acrescentando que é preciso reparar a arquitetura da união monetária e reduzir as dívidas. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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