Hollywood promove 'dança das cadeiras' de executivos

Para cortar custos, estúdios encerram parcerias com produtores antes vistos como essenciais

The New York Times, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2013 | 02h05

Um conselho aos poderosos para a próxima noite de gala em Hollywood: não abandonem seu assento para circular pelas mesas. Sua cadeira pode ter sumido quando você voltar. Com a aproximação da temporada de prêmios cinematográficos, chefes de estúdio e produtores estão menos preocupados com Oscars do que com garantia de seus empregos.

Um realinhamento nos estúdios eliminou executivos de alto escalão, rompeu velhas alianças e desafiou lealdades corporativas.

Jeff Robinov, demitido em junho da presidência da Warner, estaria a caminho da Sony Pictures, segundo a imprensa especializada de Hollywood. Pessoas informadas sobre os entendimentos de Robinov disseram que a situação está longe de ser definida. Se quiser ir para a Sony, porém, ele terá de encarar uma realidade bem mais espartana.

A Sony contratou a Bain & Company para ajudar a identificar US$ 100 milhões ou mais em cortes, que quase certamente resultarão em demissões. Além disso, nove executivos de renome foram demitidos na Fox, Dreamworks Animation e Relativity Media. Até o produtor Jerry Bruckheimer, de Piratas do Caribe, está sem casa. Os chefes da Universal e da Focus Features foram substituídos.

Parte desses cortes resultará na entrega de filmes diferentes aos consumidores. A Focus, por exemplo, sairá dos dramas intelectuais para filmes para agradar multidões nos gêneros de horror e ação. Bruckheimer, que se afastou da Disney após duas décadas, deixará os filmes "família" caso vá para a Warner ou para a Paramount.

Mas a turbulência parece ter relação também com o colapso do mercado de home video na última década, em particular as vendas de DVDs.

Em entrevistas recentes, alguns executivos de Hollywood associaram a instabilidade atual a uma mudança de tecnologia, de propriedade em grandes estúdios (como a aquisição da Universal pela Comcast) e fracas bilheterias.

"A mudança no ramo cinematográfico, em particular, e nos negócios de entretenimento e mídia em geral é previsível", disse Alan J. Levine, que já foi executivo da Sony Pictures e hoje leciona direito comercial e de entretenimento na Universidade do Sul da Califórnia. "A única coisa que não podemos prever é quando isto ocorrerá e quanto tempo vai durar", acrescentou.

Em Hollywood, as coisas podem mudar literalmente da noite para o dia. Numa manhã de setembro, o conselheiro da unidade de cinema da Universal, Adam Fogelson, voltou do Festival de Toronto e descobriu que ele e seu chefe, Ron Meyer, haviam sido demitidos.

A Universal seguiu mudando em outubro, quando James Schamus, da Focus, foi substituído por Peter Schlessel. O executivo, ex-FilmDistrict, substituiu boa parte da equipe com seu pessoal de confiança. (Tradução de Celso Paciornik)

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