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Home broker facilita a negociação de ações, mas é preciso cuidado

Tenho 38 anos e, para diversificar meus investimentos, gostaria de aplicar na bolsa. Vale à pena usar o home broker? Como ele funciona?

Fabio Gallo, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2011 | 00h00

O home broker é um sistema que permite que você dê as ordens de compra e venda de títulos diretamente no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Lembrando que a facilidade que a tecnologia traz nos faz ter a ilusão de que é fácil investir por meio do home broker. Como você que está administrando a própria carteira, é preciso conhecer bem sobre investimentos de maneira geral, como fazer a gestão de seus investimentos, ter conhecimento sobre as empresas e os setores em que atuam. Somente em outubro de 2010, 615 mil pessoas físicas aplicaram na bolsa, sendo que 25% das ordens foram feitas pelo home broker. As taxas de corretagem usualmente são mais baixas do que na operação por meio de corretores, mas os emolumentos da bolsa devem ser pagos da mesma forma. Realizar operações pelo home broker exige, além do conhecimento, tempo disponível de dedicação na administração da carteira.

Você fala muito sobre os Títulos do Tesouro NTN-B principal. Como posso fazer esse investimento e onde? Há valor mínimo? Tempo mínimo de investimento?

A pergunta é muito interessante, pois permite que tratemos de um assunto que tem atraído muito os leitores de nossa coluna. Vamos tratar primeiro da questão de como fazer esse tipo de investimento. O passo inicial é cadastrar-se em uma das corretoras ou bancos habilitados pelo Tesouro Direto e obter uma senha para poder realizar operações. O site do Tesouro Direto (tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto) traz a lista completa e atualizada das instituições habilitadas. As compras podem ser efetuadas diretamente em área exclusiva no site do Tesouro Direto. As ordens de compra e venda podem ser feitas por você ou por intermédio do agente de custódia. O valor mínimo corresponde a 20% do valor do título, algo como R$ 100. O máximo é de R$ 400 mil por mês. Não há tempo mínimo porque esses títulos podem ser negociados semanalmente, já que são de alta liquidez. Mas o recomendável é que o investidor adquira os títulos com prazo de acordo com o seu plano de investimentos. Hoje são ofertados títulos com vencimento a partir de julho de 2011 até maio de 2035.

Vou viajar para os EUA em fevereiro para fazer compras. Por causa da guerra entre as Coreias, o câmbio começou a subir, mesmo com medidas de estímulo monetário do governo americano e a diferença entre as performances das economias emergentes e as de primeiro mundo. Esse efeito é passageiro ou é melhor eu comprar dólar agora para me proteger de uma grande valorização do câmbio?

A probabilidade de que haja uma desvalorização do real frente ao dólar, no curtíssimo prazo, é baixa. O governo americano está tomando medidas de estímulo à economia, mantendo a taxa de juros baixa e com a liberação de US$ 600 bilhões no mercado, entre outras. As últimas notícias dão conta de que a temperatura da fervura entre as Coreias está baixando. O cenário não indica que tenhamos surpresas neste início de ano. Por outro lado, sempre que temos exposição cambial podemos tomar algumas cautelas mesmo com risco baixo. A ideia de comprar moeda estrangeira, ao menos uma parte, é o que o mercado denomina de hedge à vista. Em outros termos, proteção cambial com desembolso imediato.

Investir em fundos imobiliários é bom negócio para 2011?

O setor imobiliário está com preços em alta e devem ser mantidos por mais algum tempo. Alguns analistas julgam que está sendo criada uma bolha em nossa economia e que pode estourar a qualquer momento. Eu não estou tão pessimista assim porque nosso mercado tem condições de crédito restritivas e os agentes financeiros têm controles rígidos. Enfim, ainda não temos condições que nos levem a um forte trauma do mercado. Por outro lado, lembre-se que fundos imobiliários são formados por grupos de investidores com o objetivo de aplicar recursos no setor imobiliário sem precisar envolver-se na gestão dos imóveis. Mas as características do investimento são as mesmas do setor imobiliário e, por serem fundos fechados, no caso do interesse de venda, as cotas devem ser negociadas no mercado secundário. Nesse caso, o risco de não haver liquidez é bem alto.

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV E DA PUC-SP

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