Honda antecipa férias coletivas em Sumaré

Empresa vai suspender a produção por 10 dias úteis por causa do risco de falta de componentes[br]vindos do Japão

Cleide Silva,

27 de abril de 2011 | 00h34

Mais uma montadora de origem japonesa, a Honda, vai adotar medidas de redução de produção para evitar desabastecimento total de componentes importados do Japão. A fábrica do grupo em Sumaré (SP) vai antecipar as férias coletivas dos 3,6 mil funcionários para 23 de maio a 3 de junho. Antes, a parada para manutenção das máquinas estava prevista para 18 a 29 de julho.

Na segunda-feira, a Toyota suspendeu a produção na fábrica de Indaiatuba (SP), ação que será repetida em mais dois dias de maio. A unidade da Argentina suspenderá o segundo turno de trabalho durante três dias no próximo mês. As duas companhias recebem peças de fornecedores instalados no Japão, que tiveram a produção interrompida após o terremoto de 11 de março.

No caso da Honda, a maior dificuldade é com componentes eletrônicos, como chips usados no módulo da injeção eletrônica. A fábrica produz diariamente 600 unidades dos modelos Civic, City e Fit. "Desde o desastre, o envio de componentes ficou defasado, por isso vamos suspender a produção para evitar o desabastecimento total de peças", disse Paulo Takeuchi, diretor da Honda do Brasil.

Segundo ele, os fabricantes estão retomando a produção no Japão, mas parcialmente. Só para o transporte das peças ao Brasil são necessários de 40 a 45 dias. "Ainda temos estoque, mas queremos evitar o risco maior de falta", afirma Takeuchi, que não vê possibilidade de falta de veículos nas concessionárias, ao menos por enquanto.

A Honda vendeu 27.786 automóveis e comerciais leves no Brasil no primeiro trimestre, ficando com 3,5% de participação nas vendas totais. A Toyota tem 2,8% do mercado, com 22.021 unidades, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Takeuchi informou que a matriz busca alternativas de fornecimento de peças em outros países, mas admite que há dificuldades na substituição de empresas que fazem itens eletrônicos.

A fábrica de Manaus (AM), onde são produzidas motocicletas, continuará operando normalmente e só vai parar entre 27 de junho e 6 de julho para as férias coletivas programadas desde antes do terremoto.

A Toyota, que ontem voltou a operar normalmente, suspenderá novamente a produção nos dias 6 e 20 de maio em Indaiatuba. Nos três dias, a empresa deixará de produzir 909 modelos Corolla. Na unidade argentina, onde são feitos a picape Hilux e o utilitário SW4, o segundo turno não vai trabalhar nos dias 13, 20 e 27 de maio, e 450 veículos deixarão de ser produzidos.

A Toyota pode perder o posto de maior fabricante mundial de veículos para a General Motors e ficar atrás até mesmo da Volkswagen, segundo analistas. A empresa estima perda de produção de 300 mil veículos no Japão e 100 mil em fábricas de outros países até o fim do mês.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.