Filipe Araujo/AE-25/10/2007
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Honda demite 400 empregados na fábrica de Sumaré

Corte foi provocado pelo terremoto que atingiu a matriz no Japão, em março deste ano, e reduziu fornecimento de peças para o Brasil

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

A Honda anunciou ontem a demissão de 400 funcionários, o equivalente a 12% da mão de obra da fábrica de Sumaré (SP), de 3,4 mil pessoas. A empresa alegou necessidade de reduzir a produção de 600 para 300 automóveis por dia em razão da falta de componentes eletrônicos importados unicamente do Japão. A entrega das peças está restrita desde o terremoto de 11 de março.

Os trabalhadores estão em greve há uma semana e pretendem manter a paralisação. "O trabalhador não pode pagar pelo problema do desastre natural, que afeta todas as fábricas do grupo", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, Jair dos Santos. "Vamos continuar em greve até que a empresa discuta outra alternativa que não seja as demissões."

O diretor da Honda do Brasil, Paulo Takeuchi, explicou que um dos três turnos de trabalho será suspenso, o que resultará em excedente de 1,2 mil trabalhadores. "Vamos continuar negociando para encontrar alternativa para os outros excedentes (800 trabalhadores), para que não ocorram mais demissões."

Uma das alternativas será a adoção do lay-off, dispensa temporária em que parte do salário é bancada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A proposta já havia sido apresentada ao sindicato, mas foi rejeitada.

No fim da tarde de ontem, Santos afirmou que o sindicato tinha informações de 280 cortes, entre pessoal da montagem e de logística. "Eles foram avisados por meio de telegramas", disse. "O sindicato não foi comunicado da decisão pela empresa." As duas partes tentavam um acordo desde a semana passada e chegaram a ter audiência na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) de Campinas na segunda-feira.

Projeto adiado. A redução da produção dos modelos Civic, City e Fit terá início em 6 de junho. Antes, os funcionários ficarão em licença remunerada a partir do dia 23. O lançamento da nova geração do sedã Civic, prevista para o segundo semestre, só vai ocorrer em 2012.

Takeuchi explicou que as fábricas de subfornecedores de componentes, como semicondutores usados, por exemplo, no sistema de injeção eletrônica e comandos do painel, estão situadas na região do terremoto e também próximas à usina que teve vazamentos nucleares. Quando a produção se normalizar, "eventualmente" os demitidos poderão ser recontrados, disse ele.

Os fornecedores de peças para as motocicletas feitas em Manaus (AM) estão em região que não foi afetada, assim como os fornecedores da Toyota, que até agora optou apenas por dar três dias de folga aos funcionários das fábrica de Indaiatuba (SP).

A Honda previa aumento de 5% na produção este ano, ante as 134,1 mil unidades de 2010. "Agora, nossa projeção é de uma queda de 30%", disse Takeuchi. Já as vendas devem cair 20% em relação às 126,4 mil unidades comercializadas no ano passado.

Na Volkswagen do Paraná, os trabalhadores mantêm greve iniciada no dia 5 por não concordarem com o valor da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Cortes

400

é o número de funcionários que a Honda vai demitir em Sumaré

300

carros serão produzidos diariamente, ante os 600 atuais, por falta de peças importadas

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