Divulgação
Divulgação

Hopi Hari entra com pedido de recuperação judicial

Parque está fechado e só volta a reabrir dia 7 de setembro, segundo site; greve de funcionários prejudicou funcionamento do parque em agosto

Mônica Scaramuzzo, Beth Moreira, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2016 | 18h50

O parque de diversões Hopi Hari, localizado em Vinhedo, interior de São Paulo, entrou nesta quarta-feira, 24, na Justiça com pedido de recuperação judicial. O pedido foi apresentado pela empresa e suas controladoras – HH Parques Temáticos e HH Participações S/A, na Comarca de Vinhedo, de acordo com comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Com uma dívida de cerca de R$ 300 milhões – dos quais R$ 200 milhões contraídas com o BNDES e o restante nas mãos de debenturistas (detentores de títulos) e outros credores–, a companhia não tem conseguido gerar caixa.

Ao Estado, o advogado Daltro Borges, do escritório Ferro, Castro Neves, Daltro & Gomide Advogados, que representa a companhia, afirmou que o Hopi Hari está em conversa com investidores na tentativa de se reerguer. O pedido de recuperação judicial foi na 2ª Vara Cível da Justiça de Vinhedo. A empresa tem um pedido de falência em curso na 1ª Vara Cível da mesma Comarca.

 Segundo Borges, a exigência desses potenciais investidores aos controladores seria que a empresa entrasse com pedido de recuperação judicial para poder fazer o aporte. “A expectativa é apresentar o plano de recuperação nos próximos 60 dias e negociar o aporte. Os donos aceitam abrir do controle”, afirmou. “Com exceção do BNDES, a companhia não tem dívida com outros bancos. Ela tem se financiado por meio de factorings, que é dinheiro caro”, afirmou.

Em julho, a empresa passou por um revés, aprofundando sua crise. A Justiça de São Paulo autorizou o empresário Cesar Augusto Federmann, um dos credores da companhia, a fazer a retirada de uma montanha-russa do parque. Borges afirmou que a companhia fechou acordo sobre esse tema. Essa montanha-russa era uma das grandes atrações e promessa de receita para a companhia.

A empresa tem passado por dificuldades financeiras e a situação foi agravada após o acidente em 2012, no qual uma adolescente faleceu ao cair de um brinquedo no parque, afirmou o advogado. O parque teve de ser fechado por conta do acidente, agravando a crise. O faturamento bruto, à época, era em torno de R$ 100 milhões e, desde então, vem caindo.

O parque de diversões recebe, em média, 80 mil visitantes por mês e o período de alta temporada é de setembro a janeiro. Neste mês de agosto, o parque fechou em ao menos duas ocasiões devido à greve de funcionários por atraso do pagamento de salários. Além disso, o site do Hopi Hori informa que o funcionamento foi suspenso durante praticamente todo mês.

Mesmo com o pedido de recuperação judicial, a reabertura do parque, ainda segundo a página, será no dia 7 de setembro. Procurado, nenhum porta-voz da empresa retornou os pedidos de entrevista.

Meta ambiciosa. Fundado em novembro de 1999, o parque de diversões tinha como controlador o fundo GP Investments, além dos fundos de pensão Previ (do Banco do Brasil), Funcef (da Caixa Econômica Federal), Petros (da Petrobrás) e Sistel como acionistas. O investimento, à época, foi estimado em US$ 200 milhões e foi idealizado para ser um complexo de diversão à altura dos parques temáticos americanos. 

Em 2008, os fundos venderam suas participações por um preço simbólico para empresários e consultores independentes reunidos na HH Participações. Quando repassou o controle, a companhia já acumulava pesadas dívidas e foi considerado um dos investimentos malsucedidos por esses fundos. Outros acionistas ingressaram ao grupo no início deste ano, segundo fontes. 

Uma onda de fundos começou a investir em parques temáticos no início dos anos 2000, mercado que era considerado resiliente, mas os retornos não foram como o esperado. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.