Hora de mostrar resultados

A cobrança por resultados tende a aumentar quando Temer vestir a faixa presidencial

Gesner Oliveira, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2016 | 14h18

O fim da interinidade do presidente Michel Temer impõe uma série de desafios ao seu governo. 

O encerramento do processo de impeachment é uma boa notícia ao País. Melhora as expectativas em relação à recuperação da economia, atrai investidores estrangeiros e atenua, mas não encerra, um período de incertezas que se arrasta há mais de dois anos.

A cobrança por resultados tende a aumentar quando Temer vestir a faixa presidencial. Após meses de sinalização, chegou o momento de o governo Temer agir e corresponder às expectativas da população que defendeu o afastamento de Dilma e do mercado, que tem papel fundamental na atração de recursos externos e no clima de confiança.

Há três linhas de ação essenciais para tirar o País de uma das piores recessões de nossa história. A primeira, é concretizar o ajuste fiscal. Só a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que institui um teto para o gasto da União será capaz de mostrar a disposição do governo em de fato diminuir suas despesas.  É um primeiro passo para o urgente controle do gasto público.

A segunda é acelerar os investimentos em infraestrutura, especialmente por meio de parcerias e concessões. É nesse setor que reside a maior chance de uma retomada consistente da economia e da geração de empregos.

A terceira é resgatar gradualmente a competitividade do setor externo mediante uma dosagem adequada nas políticas monetária e cambial e na ação sistemática para conquistar novos mercados para os produtos e serviços brasileiros. Uma maior integração da economia brasileira com os mercados externos ajudará o governo brasileiro a obter os recursos necessários para os investimentos. 

Temer, confirmado na presidência nesta quarta-feira, tem a oportunidade de resgatar a racionalidade para a política econômica se fizer uma aposta firme no ajuste fiscal, nos investimentos em infraestrutura e nas reformas estruturais, como a da Previdência. Não será fácil. Este é momento de agir e mostrar resultados. 

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