Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Hospital Samaritano atrai interesse de D'Or, Amil e fundos KKR e Advent

Hospital virou alvo de disputas de redes de hospitais e fundos de investimentos; setor atraiu investidores após mudança na lei que permite a participação de capital estrangeiro

Mônica Scaramuzzo, Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2015 | 02h06

O hospital Samaritano, localizado no bairro de Higienópolis, em São Paulo, virou alvo de disputa de grandes redes de saúde e fundos de investimentos, apurou o 'Estado'. O Samaritano mantinha conversas exclusivas com Hospital Albert Einstein, que não avançaram. Com isso, abriu-se caminho para a Rede D'Or, Amil (controlada pela americana United Health) e fundos de investimentos, entre eles o KKR e o Advent, disputarem o hospital, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.

As negociações estão em andamento. No entanto, para que possa receber um aporte ou mesmo mudar de controle, o Samaritano, que é uma instituição filantrópica, precisa se tornar uma sociedade com fins lucrativos. O valor do negócio ainda não teve o martelo batido, mas está estimado cerca em R$ 1 bilhão, segundo fontes.

"O Hospital Albert Einstein estava em conversas exclusivas, mas deixou o negócio escapar. Para o Einstein, o Samaritano seria muito estratégico porque boa parte da comunidade judaica mora na região. Além disso, é considerado um hospital 'top de linha' e está localizado em uma área central", disse uma fonte com conhecimento no assunto.

Fundado em 1894, o Samaritano é considerado um hospital de referência, com pronto-atendimento, medicina diagnóstica, além de importantes núcleos de especialização em saúde, como em cardiologia, neurologia, oncologia, urologia e transplantes.

Lista de candidatos. Como as conversas entre o Einstein e Samaritano esfriaram, a Rede D'Or, que tem o BTG Pactual como sócio, entrou na disputa pelo ativo. Após ter recebido este ano dois grandes aportes - um do fundo americano Carlyle e o outro do GIC, de Cingapura -, a empresa de hospitais e laboratórios é considerada forte candidata a fechar o negócio.

O dinheiro do Carlyle - cerca de R$ 1,75 bilhão - foi direto para o caixa da D'Or, justamente para financiar aquisições. Na época da compra, a rede foi avaliada em quase R$ 20 bilhões. Com uma presença maior no Rio de Janeiro, o grupo busca oportunidades de negócios em São Paulo. O Samaritano, dizem fontes, encaixa-se dentro da estratégia da companhia de comprar empreendimentos voltados à classe A.

Hoje, a Rede D'Or possui unidades no Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal e Pernambuco e está debruçada no crescimento orgânico. A empresa tem 27 hospitais próprios e administra outros dois.

A United Health, dona da Amil, também estaria na disputa. No entanto, fontes afirmam que o negócio pode ser sofisticado demais para o público que a Amil atende. Já os fundos Advent e KKR, graças a uma mudança regulatória, passaram a olhar com lupa o lucrativo mercado de saúde. Em janeiro foi publicada a Lei 13.097

, que permite a participação, inclusive o controle, de entidades estrangeiras em hospitais e laboratórios.

Procurado, o Albert Einstein negou que tenha negociado a compra do hospital. O grupo Amil, que possui um complexo médico-hospitalar no Rio de Janeiro e 30 hospitais localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Distrito Federal e Ceará, informou que não comenta "especulações ou rumores de mercado". Os fundos KKR e Advent não retornaram aos pedidos de entrevista. O Samaritano não quis comentar, assim como a rede D'Or.

Fora do eixo. Os fundos de investimentos, como Advent e KKR, também estão de olho em aquisições de hospitais fora do eixo Rio-São Paulo. Os Estados do Centro-Oeste do País, que concentram polos prósperos do agronegócio, e parte da região Nordeste são alvos desses fundos, que analisam oportunidades em hospitais de médio porte e que podem receber mais recursos.

O interesse pelos fundos Advent, KKR e Carlyle (por meio da participação na D'Or) no setor tem razão de ser. Um estudo feito pela consultoria americana McKinsey a pedido do Carlyle mostrou que a eficiência do setor no País ainda é baixa. Por aqui, a média de leitos disponíveis para cada hospital é de 64. Nos hospitais dos Estados Unidos, a capacidade de atendimento de pacientes é quase três vezes maior: por lá, cada unidade tem 161 leitos, em média.

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