Andre Dusek|Estadão
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'Houve endeusamento do pré-sal', diz Parente

Para o presidente de Petrobrás, houve uma "ideologização" da área do pré-sal, já que a companhia possui outros campos de boa qualidade em outras regiões

Luciana Collet e Victor Aguiar, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2016 | 13h24

SÃO PAULO - O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, afirmou nesta sexta-feira, 30, que, no passado, houve uma "ideologização" da área do pré-sal, mas que a companhia possui outros campos de boa qualidade em outras regiões.

"Houve um endeusamento do pré-sal", disse Parente, durante participação em evento promovido pela revista Exame, em São Paulo. "Vamos gerir de forma integrada, fazendo a avaliação de risco e retorno de cada campo".

Parente também afirmou que a companhia irá promover políticas de preço de mercado, visando a maximização das margens na cadeia de valor, e que a Petrobrás irá se focar na celebração de parcerias e desinvestimentos e otimizará seu portfólio de negócios, saindo gradualmente de áreas non-core.

"Nos próximos cinco anos, estaremos concentrados em óleo e gás. Mas, passado isso, poderemos nos voltar para outras fontes de energia mais alinhadas com as questões da sociedade", disse.

De acordo com o presidente da petroleira, as parcerias trazem várias vantagens para a Petrobrás, uma vez que desoneram investimentos e aumentam a capacidade de investimentos na cadeia como um todo. "Será possível levantar cerca de USS 40 bilhões, e vamos priorizar o segmento de águas profundas", afirmou. 

Disciplina financeira. Pedro Parente também afirmou durante o evento que o atendimento das funções sociais não pode ser feito às custas da sobrevivência financeira da empresa.

"A disciplina financeira é fundamental", disse. "Por isso, uma de nossas visões de longo prazo é a que vamos cumprir nossa função social, mas sempre dando retorno".

Parente também afirmou que o uso da empresa para outras finalidades diferentes de sua função social causou diversos problemas à companhia. "O aparelhamento foi uma parte, mas a Petrobras também foi usada para outros fins", disse.

Questionado sobre quais seriam esses fins, Parente evitou dar mais explicações, mas citou a construção de refinarias no passado. "Num cenário em que se atua abaixo da paridade por um longo período, como a empresa pode decidir construir refinarias, independente do overpricing, uma em Pernambuco, outra no maranhão e outra no Ceará? Não é racionalidade econômica". afirmou. 

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