Nilton Fukuda/Estadão
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'Houve um escalada de rancor e vingança por parte de Ruy Sampaio', diz Marcelo Odebrecht

Em troca de e-mail com diretores de compliance da empresa, empresário diz que demissão foi uma retaliação pessoal e uma forma de obstrução da Justiça

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 10h00

Após ser demitido ontem (20) da própria empresa, por e-mail, Marcelo Odebrecht pediu à diretoria de compliance do grupo o afastamento do diretor presidente Ruy Sampaio, por violação de conduta. Em troca de mensagens com diretores da área de governança, obtida pelo ‘Estado’, o empresário afirmou que a medida é importante para ‘restabelecer a normalidade na condução dos negócios da empresa, neste momento de profunda gravidade’.

Segundo ele, por trás da demissão, está sua decisão de protocolar na Procuradoria Geral da República (PGR) uma autodeclaração sobre os temas divulgados na mídia nos últimos dias. Para Marcelo, trata-se de uma retaliação pessoal e caracteriza mais uma grave obstrução à Justiça. “Fica evidente que por causa da autodeclaração houve esta escalada recente de rancor e vingança por parte de Ruy Lemos Sampaio.”

No e-mail enviado à Olga Pontes, chefe de compliance da Odebrecht, Marcelo afirma que o executivo, na qualidade de diretor presidente da empresa, se utiliza de informações protegidas e entregues no âmbito do compliance e dos comitês de ética, a que teve acesso na condição de conselheiro, para tomar ações contra o denunciante. “Essa violação representa, por si, afronta definitiva ao Código de Conduta da Odebrecht e à sua governança”, o que justificaria seu afastamento.

A briga entre Marcelo e Sampaio se intensificou com a troca de comando da Odebrecht, no início da semana. Luciano Guidolin, que estava à frente do grupo desde maio de 2017, foi substituído por Ruy Sampaio, desafeto de Marcelo e homem de confiança de Emílio, o patriarca da família Odebrecht.

Na quinta-feira, o vazamento de uma série de e-mail de Marcelo azedou ainda mais o clima com seu pai. Nas mensagens, ele afirmava que Emílio era o responsável pela recuperação judicial da empresa. No dia seguinte, Sampaio concedeu entrevista e afirmou que Marcelo havia feito chantagem com o grupo para assinar o acordo de delação com o Ministério Público Federal. Em troca, teria recebido R$ 240 milhões. 

Nos e-mails enviado ontem aos diretores de compliance, Marcelo afirma que sua minuta de petição havia vazado na mídia e, por isso, protocolou a autodeclaração na PGR. “Ontem (quinta-feira) passei o dia inteiro tentando apagar o fogo que espalharam na mídia. Missão quase impossível com tanto incendiário querendo prejudicar a empresa, proteger seus próprios interesses e explodir relações familiares.”

No fim do dia, Marcelo voltou a escrever para os diretores inconformado com as declarações da empresa de que sua demissão havia sido definida pelos monitores externos independentes do Ministério Público Federal e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ). “Acabei de saber pela imprensa que a empresa está se posicionando dizendo agora que minha demissão foi por conta dos monitores. O que obviamente não condiz com o comunicado enviado diretamente por Ruy Sampaio hoje (ontem) cedo.”

Marcelo completa ainda que o tema estava suspenso até que “se avaliasse com o DoJ a questão da manipulação dos meus relatos que a própria empresa confirmou em carta assinada por meu pai (Emílio), Newton de Souza, Adriano Jucá e Mauricio Ferro”.

Para completar, o empresário diz ainda que há mais de quatro ano não tem nenhum poder de direito ou de fato dentro da empresa, estando completamente afastado das decisões e com dificuldade de obter informações necessárias para a efetividade de seu acordo. “Hoje, na prática, só posso fazer o que qualquer cidadão pode: expressar minha opinião. O que acho que no fundo amedronta, é que todos sabem que na qualidade de colaborador, tendo assumido meus erros e com toda minha vida tendo sido devassada, me expresso sem amarras, comprometido apenas com a verdade e na busca do que é o certo.”

E termina: “Vou continuar nessa linha, e só indo a empresa pontualmente quando demandado, como fiz até agora, tendo ido aí pontualmente e em apenas 11 ocasiões desde que pude sair de casa em setembro, ao contrário do que procuram propagar”.

Em nota, a Oderbecht, por sua vez, informou que o Conselho de Administração da empresa acatou a recomendação dos monitores do MPF e do DOJ dos EUA. "A decisão de demissão, portanto, foi do Conselho de Administração, composto por cinco membros, dos quais três independentes", informou o grupo.

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