HRT levanta R$ 2,6 bi em abertura de capital

Empresa de exploração de petróleo criada por ex-profissionais da ANP e da Petrobrás chega à Bovespa com valor de mercado de R$ 5,68 bilhões

Vinícius Pinheiro, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

A oferta de ações da HRT Participações em Petróleo vai levantar até R$ 2,624 bilhões, segundo dados encaminhadas pela companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O preço por ação foi definido em R$ 1.200, no centro da faixa indicada pela empresa, que variava entre R$ 1.050 e R$ 1.350.

A demanda pelos papéis foi forte e superou a oferta em três vezes, conforme apurou a Agência Estado. A operação foi destinada exclusivamente a investidores qualificados - que possuem pelo menos R$ 300 mil para aplicar. A empresa investirá a maior parte dos recursos da abertura de capital (IPO) no programa de exploração de petróleo.

Formada por um grupo de geocientistas e engenheiros ex-funcionários da Petrobrás e da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a empresa possui blocos de exploração no Brasil e na Namíbia. De acordo com avaliação da consultoria DeGolyer & MacNaughton (D&M), as reservas da HRT equivalem a 2,1 bilhões de barris de óleo equivalente.

A HRT emitiu um total de 2.181.789 novas ações, de acordo com o registro na CVM. Isso significa que, além do lote principal, foi registrado quase todo o lote adicional - colocado quando há excesso de demanda - e o suplementar. Além do dinheiro com os papéis emitidos, que irão para o caixa da empresa, foram vendidos outros 5.211 papéis que pertencem aos atuais acionistas, a R$ 6,253 milhões.

Mercado. A HRT chega à bolsa com valor de mercado de R$ 5,686 bilhões, o equivalente a quase 8% da OGX, empresa de petróleo do empresário Eike Batista, que também emitiu ações antes de ter projetos em produção. Para analistas, o preço definido pelas ações da HRT pode até ser considerado baixo, desde que as perspectivas para a companhia se confirmem no futuro. "Mas o risco de que algo não saia como planejado é muito grande e torna qualquer método de avaliação da empresa incerto", diz um experiente profissional.

Segundo um gestor de fundos que participou das apresentações para investidores (road show), o presidente e principal executivo da HRT, Marcio Rocha Mello, demonstrou muita confiança no potencial das reservas. "O que pesa contra a empresa é o pouco histórico nos blocos onde ela possui concessão", diz o gestor.

Na Bacia do Solimões, na região amazônica, onde a companhia prevê investir US$ 1,971 bilhão até 2014, a Petrobrás perfurou até o momento 255 poços, dos quais apenas 21 na área de concessão da HRT, com taxa de sucesso de 52%. Um dos atrativos da área, segundo um analista, é a qualidade do óleo produzido, bem superior ao da Bacia de Campos, por exemplo, e a possibilidade levantada pela companhia de haver mais recursos no local do que os estimados pela consultoria D&M.

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