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HSBC anuncia fim das atividades no Brasil e na Turquia

Banco britânico diz que sofre com falta de escala e que Brasil tem pouca abertura comercial; filial brasileira vai se restringir a uma pequena operação para atender apenas grandes empresas

Fernando Nakagawa, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 06h01

Atualizado às 15h20

O HSBC anunciou nesta terça-feira uma grande reestruturação de suas operações globais, com planos para eliminar ativos de maior risco e sair de países como Brasil e Turquia, como forma de aumentar a rentabilidade. O banco britânico, que tem como meta economizar até US$ 5 bilhões em corte de custos, disse que vai eliminar quase 50 mil postos de trabalho em todo o mundo - metade deles virá da venda das duas unidades de negócio. 

Nesse esforço, a instituição europeia vai, literalmente, seguir o dinheiro: apostará mais fichas na Ásia e terá presença em cinco grandes áreas econômicas que respondem por mais de 90% do Produto Interno Bruto (PIB), do comércio e do fluxo de capital do mundo.

O Brasil está fora dos planos devido à pequena abertura do País ao comércio internacional e à falta de escala do HSBC no mercado brasileiro. A explicação foi dada nesta manhã pelo executivo-chefe do grupo financeiro, Stuart Gulliver. No México, ao contrário, o banco continuará de portas abertas. Para explicar a manutenção da outra filial latino-americana, o executivo argumentou que o "quadro é diferente no México, onde a economia é aberta e há 11 reformas em curso".

Na corrida pelos negócios do HSBC, o Bradesco estaria disposto a pagar até R$ 10 bilhões, superando o apetite de Itaú Unibanco e Santander, de acordo com fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Os três enviaram propostas, há cerca de três semanas, dentro do intervalo sugerido pelo Goldman Sachs, assessor da operação, de R$ 8 bilhões a R$ 12 bilhões e foram para a fase seguinte da disputa pelo ativo.

Durante evento para atualização do cenário para os investidores do HSBC, o principal executivo do grupo explicou com naturalidade a decisão de sair do Brasil. "Os negócios têm gerado resultado abaixo do esperado no Brasil, Turquia, México e Estados Unidos. O que vamos fazer é vender o Brasil e a Turquia e mudar no México e EUA", disse Gulliver, ao ressaltar que a filial brasileira do HSBC vai se restringir a uma pequena operação para atender grandes empresas. "Vamos manter uma modesta presença no Brasil".

Em nota à imprensa, o HSBC Brasil informou que está em processo de venda e não de encerramento de suas operações no País. "O HSBC Brasil segue operando normalmente e, mesmo após a venda, seguirá prestando serviços aos seus clientes. O banco está empenhado em garantir a continuidade do negócio e uma transição suave e coordenada para um potencial comprador", destacou a instituição.

A venda da filial do Brasil acontece diante de dois principais problemas. O primeiro é estrutural e diz respeito à falta de abertura comercial do País. "Brasil e Turquia são economias mais fechadas, com pequeno porcentual das exportações sobre o Produto Interno Bruto", disse. Números apresentados pelo executivo mostram que as exportações brasileiras, por exemplo, respondem por 10% do PIB. O mesmo indicador está em 31% no México, 23% na China e 16% na Índia.

Outro problema é do próprio banco. No Brasil e Turquia, o HSBC sofre com a falta de escala. Para ser o terceiro maior banco dos dois mercados, o executivo explicou que as filiais teriam de multiplicar o total de ativos em mais de seis vezes. Na apresentação na capital britânica, Gulliver mostrou um quadro em que mostra o HSBC Brasil com US$ 63 bilhões de ativos em dezembro de 2014. Em sexto lugar no ranking dos maiores bancos no mercado brasileiro, o HSBC está muito atrás do Santander - o quinto - que somava US$ 225 bilhões.

México. O tom para falar sobre a segunda maior economia da América Latina foi completamente distinto. "O quadro é diferente no México, onde a economia é aberta e há 11 reformas em curso", disse o executivo, que destacou que a participação das exportações no PIB mexicano supera até a da China. "É lógico estarmos no México, uma economia aberta, com reformas e ligada aos EUA", argumentou.

Gulliver destacou positivamente a execução de reformas estruturais pelo governo de Enrique Peña Nieto, como as mudanças no segmento de telecomunicações e petróleo e gás, o que deve acelerar o crescimento da economia mexicana. "Isso é transformação", resumiu o executivo, ao lembrar que o México também tem sido destino de volumes crescentes de investimentos com o objetivo de exportar para os EUA como no segmento de automóveis e na indústria aeroespacial.

(Com informações da Reuters)

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