HSBC: fundos têm mais vantagens que poupança

Um estudo preparado pela HSBC Brain destaca as justificativas dos investidores para a transferência de recursos dos fundos de investimento para a poupança e aponta quais os equívocos dessas justificativas. O fato é que, nos últimos meses, a marcação a mercado dos títulos que compõem os fundos de investimento trouxe uma nova realidade para os fundos de investimento - a possibilidade de variação negativa para o valor das cotas - e isso acabou provocando uma reação negativa por parte dos investidores. As carteiras vêm registrando fortes saques nos últimos meses e parte desses recursos foi destinada às contas de poupança (veja mais informações no link abaixo). Segundo analistas, essa pode ser um decisão desvantajosa. O estudo do HSBC Brain aponta quais são os erros dos investidores, quando argumentam que a poupança "teria uma rentabilidade mais segura, seria garantida pelo governo, seria uma opção mais segura na eventualidade de algum problema com a dívida pública e outros". Preocupação com a dívida públicaNo texto, o estrategista-chefe da instituição, Dawber Gontijo, destaca que não há razões para que o investidor conclua que, caso houvesse um calote da dívida publica ou uma reestruturação do prazo de vencimento dos papéis, a poupança seria mais segura que um fundo referenciado DI. Essa conclusão toma por base a experiência de 1990, com o Plano Collor. O estudo destaca que, naquela época, "o alongamento compulsório do prazo de vencimento foi aplicado indistintamente a todos os ativos financeiros (inclusive a poupança), de forma a evitar a quebra do sistema financeiro". Ou seja, não há nenhuma certeza de que a poupança não seria afetada, caso o governo decidisse reestruturar a sua dívida.SegurançaGontijo também explica que o investidor tem uma idéia errada sobre a segurança oferecida pela caderneta de poupança. O fato é que essa aplicação não possui garantia do governo, mas sim do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que é uma reserva formada por recursos privados provenientes dos bancos que o patrocinam. Além disso, a garantia do FGC não é irrestrita, segundo o texto, pois há a limitação ao montante de 20 mil reais por CPF e por instituição.Marcação a mercado e liquidezDe fato, as cotas dos fundos de investimento podem apresentar oscilação diária negativa, em função da regra de marcação a mercado. Por essa regra, os gestores devem atualizar o valor dos papéis que compõem as carteiras, tomando por base o preço dos títulos em negociações no mercado secundário. Ou seja, se o valor dos papéis cai, o valor da cota também recua.Na poupança, não existe a possibilidade de oscilação, pois o seu rendimento é definido previamente, para um mês e a partir da divulgação da Taxa Referencial (TR). Porém, "se fosse possível negociar um investimento em caderneta de poupança no mercado, o seu valor também refletiria as oscilações de mercado que afetaram os demais ativos financeiros", destaca o estudo da HSBC Brain. O fato é que não se pode negociar o investimento na poupança no mercado secundário, e, assim, o saque é muito inflexível. Se o investidor precisa sacar recursos antes da data de aniversário da conta, os recursos resgatados não incorporam nenhum rendimento. Já os fundos, em condições de valorização dos papéis do governo, oferecem rentabilidade diária para as carteiras. Nos fundos, há incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) decrescente, quando o saque acontece antes do 30º dia da aplicação, mas, a partir aí, essa cobrança deixa de existir.Rentabilidade e indexação aos jurosO estudo da HSBC Brain destaca mais uma vantagem dos fundos DI na comparação com a poupança: a possibilidade de indexação do rendimento a uma taxa de juros pós-fixada. Com isso, caso haja uma elevação da taxa de juros, o ganho dessa aplicação não seria prejudicado. No caso da poupança, como o rendimento está vinculado à Taxa Referencial (TR), uma taxa de juros prefixada, o rendimento não vai incorporar uma possível elevação dos juros.Sobre o rendimento, os fundos DI também apresentam rentabilidade maior em relação à poupança, segundo o estudo. "A rentabilidade dos fundos DI segue basicamente a variação do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), depois de descontada a taxa de administração e o Imposto de Renda (IR) de 20% sobre os ganhos de capital", informa o texto, completando que a poupança é remunerada pela variação da TR acrescida de 6,17% ao ano.

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