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HSBC negocia a venda da Losango

Banco britânico colocou à venda sua financeira no Brasil, por estar fora do foco estratégico; quatro bancos já mostraram interesse

David Friedlander, de O Estado de S. Paulo,

26 de outubro de 2011 | 23h42

Fora da estratégia do britânico HSBC para o Brasil, a financeira Losango, uma das maiores do ramo, foi colocada à venda, segundo apurou o ‘Estado’. Conduzido pelo banco de investimento JP Morgan, o processo de negociação está em curso há cerca de 40 dias e já chamou a atenção de Bradesco, Santander, Banco do Brasil (BB) e Itaú Unibanco, que já avaliaram ou estão estudando a situação da financeira.

"Estamos todos olhando, alguns com mais interesse, outros com menos", afirmou o vice-presidente de um desses bancos. "Olhamos, mas ainda não sabemos o que vamos fazer", disse o vice-presidente e outro banco. Oficialmente, Bradesco, Santander, BB e Itaú Unibanco não comentam o assunto. Procurados, o HSBC afirmou que "não comenta rumores" e o JP Morgan não respondeu.

O movimento de aproximação com potenciais interessados acabou alimentando a ideia de que o HSBC, sexto maior banco do País e um dos maiores do mundo, estaria sendo negociado no Brasil. Essa hipótese foi negada em nota do banco semanas atrás. De acordo com a instituição, a operação brasileira é hoje a quarta mais rentável do grupo, que está presente em mais de 80 países.

Líder no crédito direto ao consumidor, com 21% do mercado, a Losango tem uma carteira de aproximadamente R$ 3 bilhões em financiamentos. A empresa também é forte nos cartões de lojas, por meio de parcerias com cerca de 20 grandes redes varejistas, como a Máquina de Vendas - além de 21 mil pequenos lojistas de todo País.

Nova estratégia. Comprada oito anos atrás por US$ 815 milhões da filial brasileira do Lloyds Bank, da Inglaterra, a Losango não faz mais sentido dentro da nova estratégia do banco britânico para o Brasil. O HSBC vai abandonar o varejo popular e priorizar a disputa pela conta de empresas e pelo cliente de alta renda, sua maior especialidade. Além da financeira, o banco já tinha colocado à venda uma pequena carteira de financiamento de carros para pessoas que não são correntistas, que até agora ninguém quis comprar.

A venda da Losango faz parte de um pacote maior e envolve ativos do mundo todo, que não interessam mais ao grupo. O presidente mundial do HSBC, Stuart Gulliver, assumiu o posto em janeiro deste ano e meses depois anunciou a intenção de cortar algo como US$ 3,5 bilhões em custos, para melhorar a lucratividade.

Para isso, o grupo vai sair de áreas e países onde não possui escala para competir pelas primeiras posições, principalmente na área de varejo.

Fora do Brasil, o desmonte já começou. No mês passado, o HSBC vendeu sua operação de varejo no Chile para o Itaú - uma operação pequena, com cerca de 20 mil clientes e apenas 0,03% do mercado local. Em agosto, o banco britânico havia anunciado a venda da área de cartões de crédito nos Estados Unidos para a Capital One, em um negócio de US$ 2,6 bilhões. Também vendeu a operação de varejo na Rússia. Outra unidade global que está sendo vendida é a de seguros (com exceção de seguro de vida), avaliada em US$ 1 bilhão.

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