HSBC reserva US$2 bi para investigação nos EUA; vendas enganosas

O presidente-executivo do HSBC pediu desculpas nesta segunda-feira por vergonhosos e constrangedores erros cometidos sobre controles contra lavagem de dinheiro. O banco separou 2 bilhões de dólares para cobrir o custo de investigações nos Estados Unidos e para compensar clientes no Reino Unido sobre vendas de produtos questionáveis.

STEVE SLATER E MATT SCUFFHAM, Reuters

30 de julho de 2012 | 08h16

O maior banco da Europa registrou uma queda 3 por cento no lucro e disse que fez uma provisão de 700 milhões de dólares para cobrir "certas questões regulatórias e de aplicação de lei" após um relatório do Senado dos Estados Unidos neste mês ter criticado o HSBC por permitir que clientes transferissem dinheiro de países considerados perigosos e pouco transparentes.

O relatório criticou uma cultura "perversamente poluída" no banco e disse que as operações mexicanas do HSBC haviam transferido 7 bilhões de dólares para operações norte-americanas do banco entre 2007 e 2008.

"O que aconteceu no México e nos EUA foi vergonhoso, é constrangedor, é muito doloroso para todos nós na empresa", disse o presidente-executivo, Stuart Gulliver, a repórteres em uma teleconferência, acrescentando que os custos eventuais podem ser "significativamente maiores".

"Pedimos desculpas por nossos erros passados com relação a controles de lavagem de dinheiro e é uma prioridade da alta administração de agir dentro das medidas tomadas na gestão de risco e para assegurar o cumprimento das regras de maneira mais efetiva", disse Gulliver.

Analistas disseram que as investigações nos EUA podem resultar em uma multa de cerca de 1 bilhão de dólares.

O HSBC também é um dos diversos bancos sendo investigados em um escândalo sobre manipulação de taxa de juros que abalou o setor. Gulliver disse ter apresentado informações aos reguladores, mas que ainda é cedo para dizer qual será o resultado ou estimar o custo potencial para o banco.

O HSBC reservou ainda 1,3 bilhão de dólares para compensar clientes no Reino Unido pela venda enganosa de seguro de empréstimos a indivíduos e produtos de hedge de juros a pequenas empresas.

O banco teve um lucro antes de impostos de 12,7 bilhões de dólares para os seis meses terminados em junho, alta de 11 por cento sobre um ano antes e acima da previsão de analistas de 12,5 bilhões de dólares.

Mas o lucro sem considerar ganhos de vendas de ativos nos Estados Unidos e perdas sobre o valor de sua própria dívida, teve queda de 3 por cento, para 10,6 bilhões de dólares.

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