Pablo Martinez Monsivais/ AP
Pablo Martinez Monsivais/ AP

Coluna

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Hu Jintao quer que EUA e China rejeitem protecionismo

Após encontro com Barack Obama, líder chinês diz que países estão em 'pé de igualdade'

BBC Brasil, BBC

17 de novembro de 2009 | 07h45

O presidente da China, Hu Jintao, disse ter alertado o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre a necessidade de ambos os países rejeitarem práticas protecionistas. A declaração de Hu foi feita após um encontro com Obama em Pequim nesta terça-feira, 17. O presidente chinês disse também que os dois concordaram em trabalhar juntos para resolver uma série de disputas na área do comércio.

Obama disse que a parceira com a China é crucial para os esforços americanos de sair de uma das piores recessões em décadas. Os dois líderes anunciaram também ter concordado com a necessidade de se chegar a um acordo amplo na cúpula sobre mudanças climáticas em Copenhague no próximo mês, e não apenas a uma declaração política.

Obama e Hu Jintao disseram ainda que se engajarão em esforços para que a Coreia do Norte retome as negociações sobre o seu programa nuclear.

Sem perguntas

Os dois líderes passaram duas horas reunidos no Palácio do Povo, na praça da Paz Celestial. Em seguida leram declarações perante a imprensa, sem que os jornalistas presentes pudessem fazer perguntas. Obama chegou a Pequim na sua primeira visita oficial ao país enfatizando a importância da China no cenário internacional - o que realçou nesta terça-feira.

"Os maiores desafios do século 21 - de mudanças climáticas a proliferação nuclear a recuperação econômica - são desafios que afetam as duas nações, e desafios que nenhuma delas pode resolver agindo por conta própria", disse ele.

Desses desafios, o que estará em evidência nas próximas semanas é o das mudanças climáticas, assunto da aguardada cúpula em Copenhague em dezembro. Obama indicou estar disposto a se engajar na elaboração de um acordo global no evento.

"Nosso objetivo ali não é um acordo parcial ou uma declaração política, mas um acordo que cubra todas as questões nas negociações e que tenha um efeito operacional imediato", disse ele.

Falando ao lado de Hu Jintao, Obama tocou no delicado assunto Tibete, sobre o qual os dois países têm visões divergentes. ele disse que a China deveria retomar conversações com representantes do líder exilado Dalai Lama sobre o futuro da região.

A China diz que o Dalai Lama está tentando separar o Tibete do resto do país e que conversações anteriores não tinham chegado a lugar algum. O presidente Hu disse, entretanto, que os dois lados - China e representantes do Dalai Lama - se reunirão para conversar sobre direitos humanos e liberdade de religião.

No que foi visto como uma indicação do crescente poder e da influência da China no mundo, Hu Jintao disse que os dois países (EUA e China) deveriam se tratar de igual para igual. "Vamos continuar a agir em um espírito de igualdade, respeito mútuo e não-interferência nas questões internas do outro", disse Hu, o primeiro a falar no evento.

Ele disse que a recente tensão entre os dois países relacionada a questões comerciais deverá ser resolvida em "pé de igualdade". Ainda nesta terça, Obama deverá se encontrar com o presidente do Parlamento, Wu Banguo, e participará de um banquete no Palácio do Povo.

O líder americano, que viajou sem sua família, também está encaixando em sua agenda visitas à Cidade Proibida e à Grande Muralha da China. Obama esteve no Japão e em Cingapura, e seguirá para a Coreia do Sul na quarta-feira.

 

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