'Huffington Post' aposta no 'movimento da notícia lenta'

Site propõe que leitor consuma textos longos, de jornalistas consagrados, que fogem da informação 'fast food'

CANNES, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h06

Num mundo dominado pela informação em tempo real, Ariana Huffington, presidente e editora-chefe do Huffington Post, um dos veículos de comunicação mais respeitados da internet, está propondo algo novo: uma pausa para respirar. Artigos mais longos, para serem lidos com tempo, são parte de uma nova aposta do site. Presente no Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade, ela classificou a iniciativa como "movimento da notícia lenta".

O Huffington Post produz, em média, 150 artigos por dia. Criado em 2005, foi comprado por US$ 315 milhões no início do ano passado pela gigante da internet AOL. O Huff Po, como é conhecido, tornou-se famoso por fornecer grande quantidade de textos, tanto informativos quanto analíticos e opinativos. Já começou sua expansão internacional e tem o Brasil como um dos alvos.

Agora, um aplicativo a ser lançado pela empresa fará o contraponto aos "drops" de informação "fast food" geralmente associados à internet. Serão reportagens e ensaios longos, de mais de 10 mil palavras, produzidos por autores consagrados (incluindo vencedores do prêmio Pulitzer).

"É algo para quem não está procurando o caso de uma noite, mas sim o fim de semana romântico", explica a presidente e editora-chefe do Huffington Post. Arianna explicou que se trata do tipo de texto para se baixar e ler com calma, sem interrupções. Como antigamente, mas adaptado ao formato do novo mundo de tablets e smartphones.

Na opinião de Arianna, a forma de consumir mídia passa por transformações constantes. Hoje, segundo ela, há uma necessidade geral de "desconexão".

Outra tendência é a busca por algum tipo de sentido na vida, uma causa. Ela defende que a construção de conteúdos siga seus consumidores - e que os anunciantes busquem os conteúdos certos para associar a suas marcas, sem interferir em sua produção.

Uma das formas de aliviar a carga de informação do dia a dia, na opinião da presidente do Huffington Post Media Group, é a criação de seções só dedicadas a boas notícias, especialmente as que tragam personagens que contem uma história de interesse humano. "As pessoas estão cansadas de negativismo."

Interação por vídeos. Essa busca por algo diferente também foi aplicada ao serviço de vídeos Huff Post Live, que será lançado neste verão americano. O objetivo é criar uma plataforma de televisão pela internet baseada na interação com o consumidor, explica Roy Sekoff, cocriador da nova ferramenta.

O objetivo é que o leitor possa interagir de igual para igual com os comentaristas e ajude a construir o conteúdo. Essa vocação, explica Sekoff, surgiu da análise dos números do site do Huffington Post. Demorou seis anos para chegar a 100 milhões de comentários. No entanto, já havia atingido a marca de 150 milhões seis meses mais tarde. Agora, depois de três meses, já se aproxima de 200 milhões de opiniões.

Isso deixou claro que o caminho seria a interatividade. "Os comentários não se referem somente à reportagem em questão, mas, em 70% das ocasiões, respondem a outras opiniões", afirma Sekoff. / F.S.

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