Hugo Chávez ataca a direita paraguaia

Presidente da Venezuela atribui à direita no Senado paraguaio a resistência em aprovar a entrada do país caribenho no bloco comercial

ARIEL PALACIOS , ENVIADO ESPECIAL / MONTEVIDÉU, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h06

"Mãos peludas!" Com estas palavras o presidente venezuelano Hugo Chávez denominou os grupos "de direita" que estão tentando impedir a entrada de seu país no Mercosul, como sócio pleno. "Há infiltração de muitas mãos peludas", insistiu Chávez, em alusão à resistência do Senado paraguaio - controlado pela oposição - contra a entrada da Venezuela. "Espero que o Equador não tenha que demorar tanto para entrar", disse, irritado.

De acordo com Chávez, são apenas "cinco pessoas", em referência aos senadores paraguaios, que "impedem a aprovação de ingresso da Venezuela". O presidente lamentou que a Venezuela é há anos um "Estado associado" e não consegue ser aceita como "membro pleno".

O Senado do Paraguai tornou-se o último obstáculo para a entrada do país caribenho no Mercosul. Na última década o ingresso da Venezuela foi aprovada pelos Parlamentos do Uruguai, Brasil e Argentina.

O presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, afirmou que o Mercosul criará um grupo de trabalho para definir as "condições e procedimentos para a entrada do Equador". Depois, sem citar a Venezuela de forma explícita, Mujica disse que o Mercosul criará uma comissão de alto nível para analisar as possibilidades de entrada de novos sócios.

Essa comissão especial, segundo fontes, seria formada por negociadores indicados pelos presidentes dos países do bloco e também teria a missão de convencer os senadores paraguaios a desbloquear o pedido da Venezuela.

Morte. A morte do subsecretário de Comércio Exterior da Argentina, Iván Heyn, tumultuou a cúpula do Mercosul. Heyn foi encontrado morto no quarto do hotel Victoria Radisson, no centro de Montevidéu, com um cinto enforcando seu pescoço, aparentando suicídio. Com 34 anos, ocupava o cargo há apenas dez dias.

Ontem ao meio-dia sua ausência nas reuniões chamou a atenção dos integrantes da equipe econômica, que foram buscá-lo no hotel. Ao ser informada do suicídio do subsecretário, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, passou mal e foi atendida por seu médico.

A morte de Heyn - que fazia parte da equipe que intensificaria o protecionismo do segundo mandato da presidente Cristina - provocou o cancelamento da tradicional foto oficial dos presidentes do Mercosul. É a primeira vez, em 42 cúpulas, que o bloco do Cone Sul registra a morte de um de seus negociadores durante o período de reuniões.

A notícia interrompeu os trabalhos no meio da tarde, que em seguida foram retomados.

Tarifas. A presidente Dilma Rousseff, em seu discurso de encerramento da cúpula do Mercosul, confirmou que os países do bloco concordaram em elevar a Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco até um teto de 35% para 100 itens de cada Estado sócio. O mecanismo de aumento das tarifas - segundo documentos da cúpula - será "temporário" para as tarifas de importação de mercadorias de fora do bloco.

Os documentos também indicam que "as medidas adotadas respeitarão o nível consolidado na Organização Mundial do Comércio (OMC)". Esse mecanismo deverá ter vigência até dezembro de 2014. "Isso demonstra a capacidade do Mercosul de responder de maneira coordenada aos desafios da nova etapa da crise econômica internacional", indicaram os negociadores.

Dilma ressaltou que o Mercosul "precisa de mais parceiros" e citou a Venezuela como país que tem porte suficiente para colaborar no peso estratégico internacional do bloco. "Tenho certeza de que o presidente Hugo Chávez, forte e saudável, dará sistematicamente sua contribuição."

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