Humor do empresário é pior desde 99;consumidor melhora

A confiança do consumidor brasileiro melhorou no início de 2009, mas o humor do empresário trilhou caminho oposto, mostraram pesquisas divulgadas nesta terça-feira. O índice de confiança do consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) registrou alta de 3 por cento entre dezembro e janeiro, atingindo o patamar de 100,3 pontos. Ainda assim, a FGV ressaltou que o dado está baixo em termos históricos. O índice de confiança do empresário industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) caiu 5,1 pontos em janeiro, para 47,4 pontos --o nível mais baixo desde janeiro de 1999. A CNI informou que a perda de confiança é mais intensa entre as empresas de maior porte. "A pesquisa revela ainda que a falta de confiança afetará negativamente o nível de investimento e a demanda das indústrias por insumos e matérias-primas", acrescentou a CNI. "Com isso, espera-se a manutenção da tendência de desaceleração do ritmo da atividade industrial, bem como da economia brasileira como um todo." Além da indústria extrativa, 22 dos 27 setores da indústria de transformação pesquisados registraram queda na confiança na comparação com outubro de 2008. Entre os setores com menor confiança destacam-se Veículos automotores e Papel e celulose. O índice de expectativas do empresário manteve-se praticamente estável frente ao registrado em outubro, em 53,1. SAZONALIDADE No caso dos consumidores, o quesito que mede o grau de otimismo em relação à situação econômica local nos próximos seis meses --que havia registrado o pior resultado da série histórica em dezembro de 2008-- teve uma leve melhora. Entre os consultados pela FGV, a parcela dos que disseram esperar melhora da situação econômica ao longo dos próximos seis meses subiu de 18,3 por cento para 22,5 por cento. "O índice (de confiança) piorou muito no primeiro momento e foi à lona no último trimestre. Alguns consumidores acham que não pode piorar muito", disse o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo, acrescentando que sempre há melhora do índice no começo de ano. "A sazonalidade dá um impulso forte nesta época do ano. É a filosofia 'ano novo vida nova'." Ele lembrou que os dados internos da FGV apontam que o indicador de confiança dessazonalizado ficou estável de dezembro para janeiro. "Pode ser que em fevereiro haja um impacto para baixo, pois é mês de IPVA e mensalidades escolares." A sondagem foi realizada com uma amostra de mais de 2 mil domicílios em sete das principais capitais do país. Os dados foram coletados entre os dias 2 e 22 de janeiro. A pesquisa da CNI foi feita com 1.407 empresas, entre 5 e 26 de janeiro. (Por Renato Andrade e Daniela Machado, reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro)

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