Humor melhora mas volatilidade não é descartada

Embora os investidores ainda evitem maiores apostas, o mercado acionário ainda mantém o olhar mais positivo que vêm tendo nos últimos dias em relação ao cenário interno. As declarações de ontem do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, admitindo a possibilidade de um acordo de transição com o Fundo Monetário Internacional (FMI) foram bem recebidas. Contudo, operadores consideram que esta possibilidade já foi precificada com a alta forte de ontem da bolsa, acompanhada pela queda do dólar e dos juros futuros. Agora, o mercado aguarda novos fatos, como, por exemplo, uma confirmação oficial da abertura de negociações do Fundo com o Brasil. Ontem, Fraga disse que as negociações ainda não começaram.O mercado também tem recebido boas notícias de alguns indicadores, como os dois últimos índices de inflação, que ficaram abaixo do esperado. Ao mesmo tempo, a balança comercial vem acumulando superávits maiores nas últimas semanas. O saldo no ano já atinge mais de US$ 3 bilhões e alguns analistas avaliam que, dada a queda das importações provocada pela alta do dólar e pela desaceleração econômica, a meta de US$ 5 bilhões para o ano voltou a ser viável.Com relação à bolsa, a isenção da CPMF a partir de segunda-feira poderia impulsionar o mercado acionário, mas isto só acontecerá se a conjuntura melhorar muito. Uma queda de juros por parte do Copom, que se reúne semana que vem, poderia contribuir, mas a maioria dos analistas ainda se mostra cética quanto a esta hipótese, dado que, apesar dos últimos índices de preço menores, a meta do ano ainda está ameaçada e o risco País continua elevado.Eleições e Estados UnidosEmbora as preocupações de curto prazo com o cenário eleitoral tenham sido amenizadas, o mercado segue atento às pesquisas. Ontem, o Ibope confirmou o registrou de mais uma pesquisa que está sendo apurada entre hoje e a próxima segunda-feira. Depois das entrevistas dos candidatos à TV Globo nesta semana, o mercado está curioso para saber se a pesquisa confirmará, ou não, a tendência indicada pelos últimos números do Ibope, de queda de Lula e alta de Ciro.Outro fator que empresta cautela à bolsa é a instabilidade do mercado americano. Depois de muitos dias de surpresas negativas das empresas, Wall Street recebeu com alívio hoje informações favoráveis da Dell e G&E, mas o humor dos investidores recebeu um contraponto negativo do índice de confiança dos consumidores da Universidade de Michigan. O relatório mostrou queda para 86,5 em julho na confiança dos consumidores, de 92,4 em maio e chegou a derrubar as ações.Às 14h45, o dólar comercial para venda estava sendo cotado a R$ 2,8180, com alta de 0,86% em relação ao fechamento de ontem. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagavam taxas de 22,600% ao ano, ante 22,750% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrava alta de 0,69%.

Agencia Estado,

12 de julho de 2002 | 14h50

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