Hungria ainda tem pequena chance de alcançar acordo com o FMI

Para que isso ocorra, no entanto, governo húngaro terá que fazer primeiro uma mudança radical em seu posicionamento quanto à reforma fiscal e à independência de seu banco central

Ligia Sanchez, da Agência Estado,

22 de julho de 2010 | 17h00

A Hungria ainda tem uma pequena chance de alcançar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que permitirá ao país acessar o restante de sua atual linha de crédito do FMI e da União Europeia. A declaração foi feita pela representante do FMI na Hungria, Iryna Ivaschenko, em entrevista à Dow Jones, alertando que, para isso, o governo húngaro precisa primeiro fazer uma mudança radical em seu posicionamento quanto à reforma fiscal e à independência de seu banco central.

Ivaschenko defendeu que, para alcançar um acordo dentro do pouco tempo disponível para acessar o atual financiamento, o governo húngaro terá de se comprometer com medidas de longo prazo para reduzir o déficit orçamentário. "O pacote econômico do governo para 2010 tem natureza temporária, o que não contribui para resolver o déficit de 2011", disse a representante.

Ela deixou claro que a independência do banco central do país continua a ser um ponto crucial antes da negociação ser retomada. "As negociações podem ser retomadas quando o governo estiver preparado para discutir e a preparar planos fiscais duráveis e sustentáveis de natureza estrutural, especialmente para 2011, além de resolver questões importantes no setor financeiro, como a independência do banco central", afirmou Ivaschenko. "Continuamos totalmente abertos a continuar as conversas", acrescentou.

Mas uma pessoa próxima às negociações disse que alguns membros do FMI consideram improvável que qualquer acordo seja feito antes das eleições de outubro. "Terá de ser para um novo programa de governo", afirmou a fonte.

No sábado, as negociações da Hungria com o FMI e a União Europeia sobre o restante de sua atual linha de crédito de € 20 bilhões foram rompidas, depois que o governo se recusou a impor mais medidas de austeridade. O atual programa do FMI para a Hungria termina em 4 de outubro e o órgão alega que o país quer atingir suas metas de orçamento com medidas insustentáveis, como um polêmico imposto sobre bancos locais.

O chefe da missão do FMI à Hungria, Christoph Rosenberg, afirmou que o órgão estava aberto a considerar o imposto bancário proposto pelo governo, "mas é uma questão de escala e design". O imposto poderia ser justificado como uma medida temporária, mas o governo "teria de adotar mais alternativas permanentes e menos distorcidas."

Ivaschenko também afirmou que o FMI e a UE não podem ser separados na questão do empréstimo à Hungria. Na quarta-feira, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, declarou que o país discutirá os planos de déficit do orçamento de 2011 com a UE, mas não com o FMI.

A Hungria não utilizou neste ano a linha de crédito do FMI e UE concedida em 2008, quando uma política fiscal flexível e alta dívida externa deixaram o país vulnerável à crise econômica global. Analistas dizem que suas finanças parecem equilibradas para este ano. Mas, devido às altas dívidas, o país é o mais sensível na Europa a mudanças no sentimento do investidor global. Além disso, suas obrigações de dívidas vão subir no próximo ano, com a necessidade de começar a pagar suas dívidas com a UE em 2011 e com o FMI em 2012. "O arranjo de crédito emergencial poderia ser uma política de segurança contra turbulências de mercado", afirma Ivaschenko. As informações são da Dow Jones.

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