Hungria cede em relação a BC, e pode receber ajuda

De um lado, um país em sérias dificuldades financeiras. De outro, a União Europeia ávida para frear a crise que parece voltar a ganhar força. Ontem, o governo de extrema direita da Hungria cedeu em seus planos de controlar o banco central, enquanto a União Europeia flexibilizou suas exigências e deu o sinal verde para o início de uma negociação para um pacote de resgate ao país do Leste Europeu.

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h10

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e Bruxelas já haviam indicado no final de 2011 que os húngaros precisariam ser resgatados. Mas durante cinco meses o processo foi engavetado. Isso porque o governo de Budapeste modificou sua Constituição, acabou com a independência do BC e fez manobras para aposentar um terço dos juízes da Suprema Corte e substituí-los por aliados.

Bruxelas fechou a torneira e abriu investigações contra Budapeste. Em março, os europeus ainda suspenderam 500 milhões em programas de assistência a regiões mais pobres da Hungria, aprofundando a crise.

Segundo as projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Budapeste entrará em recessão em 2012. Nos próximos dias, a União Europeia também deverá confirmar que o bloco entrou em recessão, conduzidas dessa vez por cortes que estão fazendo explodir o desemprego e reduzir de forma drástica o consumo.

Diálogo. Ontem, a União Europeia confirmou que os húngaros haviam cedido e dado garantias suficientes de que a independência do banco central seria respeitada. Essa exigência faz parte de alguns dos princípios básicos de qualquer país que faça parte do bloco.

O governo da Hungria ainda sinalizou que, no caso do Judiciário, estava pronta para dialogar, o que foi considerado um passo suficiente pelos europeus para destravar o resgate.

"Garantias foram dadas pelas autoridades húngaras, o que significa que a Comissão está hoje preparada ara discutir a assistência financeira, como foi solicitado pelos húngaros em novembro", declarou o porta-voz da Comissão Europeia, Olivier Bailly.

O resgate é considerado fundamental para a solvência da Hungria, ainda que o primeiro-ministro tenha insistido até o último momento em acusar Bruxelas de fazer exigências "injustas" para liberar o dinheiro.

A Hungria foi rebaixada pelas agências de rating para a classificação de "lixo". Ontem, tanto sua moeda quanto os papéis do tesouro local tiveram altas importantes. Mas o risco país ainda está em mais de 8%, o que na prática fecha o mercado internacional de créditos para permitir que o governo se refinancie.

No ano passado, o governo húngaro nacionalizou pensões privadas para permitir que o déficit estivesse dentro dos limites da União Europeia, de 3%. Analistas, porém, denunciaram a medida de camuflar contas desequilibradas e insustentáveis.

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