Hungria envia novo plano para corte do déficit à União Europeia

Plano estabelece medidas adicionais para equilibrar o orçamento do país, como parte de esforço para convencer o bloco a liberar um financiamento que está congelado

Danielle Chaves, da Agência Estado,

23 de abril de 2012 | 12h02

O governo da Hungria enviou um novo plano para corte do déficit à União Europeia que estabelece medidas adicionais para equilibrar o orçamento do país, como parte de um esforço para convencer o bloco a liberar um financiamento de quase € 500 milhões que está congelado. O chamado relatório de convergência pede cortes mais profundos nos gastos e novos impostos sobre transações financeiras e serviços de telecomunicações.

A União Europeia suspendeu milhões de euros em fundos destinados para a Hungria no próximo ano diante da previsão de que o governo húngaro viole a regra do bloco que limita os déficits orçamentários dos países membros a 3% do Produto Interno Bruto (PIB). A UE estima que o déficit húngaro chegará a 3% do PIB neste ano e a 3,6% do PIB em 2013.

Em um comunicado, o Ministério da Economia reiterou as metas de déficit do país de 2,5% do PIB neste ano e 2,2% em 2013 e insistiu que essas metas podem ser atingidas com segurança tendo em vista o novo programa fiscal e anterior.

PIB

O governo da Hungria reduziu a previsão para o crescimento econômico do país em 2012 para 0,1%, da projeção anterior de 0,5%, informou o Ministério da Economia em um relatório.

O Produto Interno Bruto (PIB) da Hungria desacelerou do 1,7% registrado em 2011 e será inferior este ano, porém vai começar a aumentar a partir de 2013, segundo o relatório. O país espera crescimento do PIB nominal de 2,5% em 2014 e 2015, após um ligeiro aumento, de 1,6%, no ano que vem.

O governo ainda espera que o déficit orçamentário estrutural do país, ou déficit sem medidas extraordinárias, caia para 1,8% do PIB este ano, de 3,9% do PIB em 2011, diz o Plano de Convergência. O déficit estrutural do país vai cair para apenas 1% do PIB em 2013 e continuar nessa tendência, afirma o relatório, acrescentando que o valores devem ser de 0,9% em 2014 e de 0,8% em 2015.

O ministério informou que não haverá receitas orçamentais extraordinárias em 2014 e 2015, portanto os números do déficit real e estrutural vão corresponder nesses dois anos. A União Europeia (UE) criticou o governo pela falta de medidas estruturais, porque o documento não revela planos de revisão ou passos estruturais significantes para o período até em 2015.

Acordo

A União Europeia decidirá até o fim deste mês quando as conversações oficiais com a Hungria sobre um acordo financeiro pode começar, afirmou o ministro de Relações Exteriores do país, Janos Martonyi.

As conversações entre o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, previstas para terça-feira, deverão impulsionar as negociações sobre o acordo de empréstimo.

"As conversações estão perdendo fôlego, porque parece que a Comissão Europeia está em uma posição para fazer fortemente suas reivindicações contra o governo húngaro, tendo em vista que a Hungria está pedindo um empréstimo da UE, e não o contrário. Nesta situação, eles são a parte mais forte", disse Martonyi em entrevista à TV Hir.

A Hungria está buscando um a linha de crédito preventiva de entre € 10 bilhões e 15 bilhões, mas as conversações oficiais ainda não começaram, enquanto a YE prevê que os procedimentos de infração em vigor sejam concluídos primeiros, enquanto o país afirma que não se dobrará à pressão política.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, disse que o país está comprometido com a adesão à União Europeia, mas disse que Bruxelas não pode sobreviver inalterada. Falando no Centro Europeu de Política, um instituto de pesquisa de Bruxelas, Orban afirmou: "Nossa estrutura em Bruxelas não é mais suficiente."

Orban reiterou que o país precisa da linha de crédito preventiva do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

 

 

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