Hungria não chega a acordo com FMI e UE; bolsa e moeda despencam

Ajuda permitiria ao país continuar acessando uma linha de crédito auxiliar recebida em 2008

Ângelo Ikeda, da Agência Estado,

19 de julho de 2010 | 07h08

A Hungria não conseguiu chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia que permitiria ao país continuar acessando uma linha de crédito auxiliar recebida em 2008, o FMI e a UE disseram neste sábado. "Embora concordemos em muitas coisas, um série de questões permanece em aberto", disse o FMI em comunicado, depois de concluir uma avaliação da ajuda financeira.

O euro disparou quase 3% contra o florim, a moeda húngara, na abertura dos negócios desta segunda-feira, e o spread dos contratos de swap para proteção contra eventual default nos títulos do Tesouro do país durante cinco anos subiu 43 pontos-base para 365 pontos-base. A bolsa de ações local caiu 4% na abertura, com os papéis do maior banco do país, OTP, cedendo 8,5%.

A Hungria foi o primeiro país da UE a obter ajuda do FMI e da UE após a crise financeira. O país foi duramente afetado por causa de sua política fiscal negligente e seu alto endividamento externo. A linha de crédito de 20 bilhões de euros, obtida em 2008 com o FMI, a UE e o Banco Mundial, expira em outubro.

O chefe da missão do FMI para a Hungria, Christoph Rosenberg, disse que o país enfrenta desafios fiscais e que o FMI continua aberto a discussões.

"Há uma série de questões em aberto. A Hungria continua a enfrentar desafios, não apenas para este ano, mas principalmente para 2011, mas o FMI está pronto para prosseguir com o diálogo", disse Rosenberg.

A maior parte das questões que permaneceram em aberto está relacionada à área fiscal, principalmente à sustentabilidade de medidas fiscais que foram planejadas, ele disse.

A Hungria se comprometeu com uma meta de déficit fiscal de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2010, como umas das condições para receber a linha de crédito.

Para 2011, o governo pretende reduzir o déficit do orçamento, mas ainda não se sabe para que nível, disse Rosenberg. As informações são da Dow Jones.

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