Hungria retomará conversa com o FMI em setembro, mas recusa aperto fiscal

‘Não há possibilidade de implementarmos mais austeridade‘, disse o ministro da Economia do país 

Danielle Chaves, da Agência Estado,

19 de julho de 2010 | 10h09

A Hungria vai retomar as conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em setembro, afirmou Gyorgy Matolcsy, ministro da Economia do país. No entanto, o governo insiste em se negar a implementar rapidamente mais planos de austeridade fiscal. "Não há possibilidade de implementarmos mais austeridade", disse Matolcsy.

"Eles (o FMI e a União Europeia), equivocadamente, esperavam que nós inundássemos o público com mais uma onda de grandes medidas de reforma estrutural", afirmou. "Nós passamos por mais de quatro anos de austeridade e é por isso que perdemos nossa competitividade e centenas de empregos", comentou. O ministro disse que a delegação do FMI e da UE voltará ao país em setembro.

As negociações da Hungria com o FMI e a UE fracassaram no final de semana, em razão da recusa do governo húngaro em implementar novas reformas. O FMI e a UE responderam a isso congelando o acesso da Hungria a uma linha de crédito concedida ao país em 2008.

O FMI e a UE também discordaram do plano da Hungria para cobrar um imposto do setor financeiro para ajudar a aumentar a receita do governo, segundo Matolcsy. Além disso, não houve acordo quanto ao plano húngaro para reduzir o salário do presidente do banco central do país, Andras Simor, e outro plano para ajudar detentores de hipotecas problemáticas por meio de um fundo especial garantido pelo Estado a partir de 2011.

Em entrevista a uma agência de notícias estatal, o ministro de Relações Exteriores da Hungria, Janos Martonyi, afirmou que o FMI deveria ser mais leniente com os planos do governo de taxar os bancos, já que "o estado organizado do orçamento deveria ser de primeira importância para o FMI, se nós quisermos manter a meta de déficit no orçamento de 3,8% do PIB em 2010". Martonyi acrescentou que ficou surpreso com o apoio do FMI aos bancos internacionais nesse assunto.

Apesar das discordâncias em várias questões, o ministro da Economia afirmou que as conversas com o FMI e a UE no fim de semana foram bem sucedidas, já que o FMI reconheceu o compromisso do governo húngaro de atingir a meta - aprovada pelo FMI - de déficit orçamentário de 3,8% do PIB neste ano. As informações são da Dow Jones.

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