Hyundai busca área para fábrica de trens

Empresa coreana, que participa de consórcio para o trem-bala, já esteve em Campinas e São José dos Campos

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2011 | 00h00

A coreana Hyundai Rotem está em busca de locais para instalar uma fábrica de trens no Brasil. A empresa faz parte do consórcio que vai disputar o Trem de Alta Velocidade (TAV), entre Campinas, São Paulo e Rio, no mês de abril. A construção da unidade, no entanto, está associada à vitória na disputa.

Nesta semana, uma comitiva de dez executivos da empresa desembarcou em duas cidades de São Paulo para prospectar áreas potenciais para a unidade. A primeira delas foi São José dos Campos, na terça-feira. No dia seguinte, o grupo esteve com o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos. Eles ficaram reunidos por duas horas no gabinete do prefeito, que contou com a presença de dois secretários e um diretor de cooperação internacional. A conversa foi traduzida por um intérprete que falava português e coreano.

Segundo a prefeitura, os executivos afirmaram que estão à procura de uma área de 200 mil metros quadrados (m²) para instalar a fábrica de 40 mil m². A unidade, se o consórcio coreano sair vencedor do leilão, criará entre 400 e 500 postos de trabalho com mão de obra especializada.

A comitiva deverá visitar outras cidades, especialmente do Rio de Janeiro. Mas a região de Campinas pode sair na frente por causa do polo industrial ferroviário de Hortolândia. Ali estão instaladas grandes companhias, como Amsted Maxion, Bombardier e CAF.

Embora participe de outros mercados no Brasil, como o fornecimento de carros para o metrô de São Paulo e Salvador, a fábrica da Hyundai Rotem produziria apenas trens de alta velocidade - a princípio, os demais produtos continuariam sendo importados como ocorre hoje. A empresa fabrica o KTX, o trem-bala coreano.

A Hyundai Rotem é uma das 12 empresas coreanas que integram o consórcio que vai disputar o TAV, um empreendimento de R$ 33 bilhões. Além dessas, outras nove companhias brasileiras compõem o grupo, como CR Almeida, Constran, Engesa, UTC e SA Paulista, entre outras. Três empresas nacionais que estavam no consórcio desistiram no ano passado. São elas: Contern, construtora do Grupo Bertin, Carioca e Galvão.

Leilão. O leilão do TAV estava programado para ocorrer em 16 de dezembro de 2010, mas, por pressão de várias empresas, o governo cedeu e decidiu adiar a disputa. Na ocasião, as grandes construtoras do País, como Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, argumentaram ter tido pouco tempo para estudar o projeto e que precisavam de mais tempo para participar do evento.

Na ocasião, apenas o grupo coreano confirmou participação no leilão - afinal, vinha trabalhando no projeto havia mais de um ano. Agora, a expectativa é que o leilão conte com dois grupos, o coreano e outro formado por construtoras nacionais e fabricantes estrangeiros.

No consórcio coreano, embora os estudos já estejam prontos, o grupo aproveitou o tempo a mais para se aprofundar na questão imobiliária. Eles querem usar as estações para criar grandes empreendimentos. Também estão em busca de mais sócios estratégicos, como fundos de investimentos internacionais.

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