Hyundai inaugura fábrica e aumenta investimento

Unidade, que já estava funcionando desde setembro, recebe mais US$ 100 milhões para ampliar a produção do modelo HB20

CLEIDE SILVA, ENVIADA ESPECIAL / PIRACICABA, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2012 | 02h10

Inaugurada oficialmente ontem em Piracicaba (SP), embora esteja funcionando desde setembro, a fábrica da Hyundai já precisou de investimento extra de US$ 100 milhões, além dos US$ 600 milhões anunciados anteriormente. Boa parte do novo montante foi usada para antecipar a criação do segundo turno de trabalho, antes previsto para 2013, e em adaptações em setores que apresentavam gargalos.

Ainda assim, a primeira fábrica na América do Sul com capital 100% da Hyundai opera no limite da capacidade e tem toda a produção comprometida para os próximos meses. O primeiro modelo em produção, o compacto HB20, tem 50 mil encomendas mas, até dezembro, serão produzidas 26 mil unidades. Quem comprar um modelo agora, com preço inicial de R$ 32 mil, só vai receber a partir de fevereiro.

"Estamos cientes de que temos uma longa lista de espera, mas estamos nos esforçando para atender a demanda", afirma Young Gil Hyun, diretor comercial da Hyundai do Brasil. A fábrica tem capacidade para fazer 34 carros por hora.

"Vamos investir em gargalos específicos e, para o futuro, há possibilidade de um terceiro turno de trabalho", diz Eugênio Césare, gerente geral de produção. Para 2013, a empresa espera operar com capacidade total de 150 mil veículos. Serão lançadas no primeiro trimestre as versões fora de estrada (HB20X) e sedã.

Em breve discurso na cerimônia de inauguração, o presidente mundial da Hyundai, Chong Mong Koo, de 74 anos, ressaltou que o HB20 foi desenvolvido exclusivamente para o mercado brasileiro. Disse ainda que a nova subsidiária vai "contribuir para o desenvolvimento da indústria automobilística brasileira e da economia local".

Brics. O Brasil é o sétimo país a receber uma fábrica da Hyundai. Com a inauguração dessa filial, o grupo conclui estratégia iniciada há 12 anos de fincar bandeira em todos os países do Bric (Brasil, Rússia, China e Índia). "Agora estamos nesses quatro países em crescimento e não temos, para os próximos anos, planos de entrar em novos mercados, apenas de expandir as instalações onde já estamos", diz Frank Ahrens, vice-presidente global de comunicação da Hyundai.

A marca, uma das que mais crescem no mundo, vendeu 4,06 milhões de veículos em 2011, 12,5% a mais que no ano anterior. "A estratégia daqui para a frente é de ir mais devagar, para termos certeza da qualidade dos nossos produtos", afirma Ahrens. A projeção é de crescimento de 6% neste ano e de porcentuais próximos disso em 2013.

A nova filial tem 1,8 mil funcionários diretos e 3 mil nos nove fornecedores de componentes instalados ao redor da fábrica, todos de empresas pertencentes ao grupo Hyundai. A empresa calcula em 20 mil o número de empregos gerados na região.

Também participaram ontem da cerimônia de inauguração o vice-presidente Michel Temer (representando a presidente Dilma Rousseff), o ministro de Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e o governador Geraldo Alckmin, além de autoridades locais e coreanas.

Em sua fala, Pimentel citou a presença, entre os convidados, do presidente do Grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade. Ele é importador exclusivo dos carros da Hyundai desde os anos 90 e tem uma fábrica em Goiás que opera sob licença da marca coreana para a produção dos utilitários HR, Tucson e, em breve, do ix35. O investimento nesse projeto é do próprio Andrade, que também é dono da maior rede de revendas da marca.

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