Hyundai vai produzir máquinas para construção no Rio

Em parceria com a brasileira BMC, grupo coreano pretende investir US$ 150 milhões na unidade de Itatiaia

Alexandre Rodrigues / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2011 | 00h00

A Hyundai Heavy Industries, braço de indústria pesada do grupo coreano, quer aumentar sua presença no Brasil atraída pela perspectiva de alta dos investimentos em infraestrutura. Ao assinar ontem, no Rio, um protocolo de intenções para aplicar US$ 150 milhões na construção de uma fábrica de equipamentos para construção civil no Estado, o presidente da empresa, Jai Seong Lee, disse que pretende explorar outros setores no País.

Beneficiada com incentivos fiscais do governo do Rio, a Hyundai vai fabricar em Itatiaia, no Sul Fluminense, equipamentos para construção pesada como escavadeiras, retroescavadeiras e carregadeiras. A unidade industrial - primeira do tipo que a Hyundai abre fora da Ásia - deve começar a operar no fim de 2012 com capacidade de produção de cinco mil máquinas por ano.

A Hyundai já é sócia do empresário Eike Batista no investimento de cerca de R$ 3 bilhões para a construção do estaleiro da OSX no Porto do Açu, litoral norte do Rio. O projeto, que busca financiamento do Fundo de Marinha Mercante, terá a coreana como sócia em 10% do capital e fornecedora de tecnologia. Além de embarcações e suprimentos para a indústria de petróleo, Lee disse que mira setores como os de equipamentos para energia eólica e solar.

"Temos um grande portfólio em várias áreas de infraestrutura e queremos trazê-lo para o Brasil para crescer junto com o País, que tem se destacado como um motor da economia mundial", disse Lee. "A construção cresce no Brasil, ainda mais com a Copa, Olimpíadas e outros projetos de infraestrutura."

A fábrica da Hyundai em Itatiaia será uma parceria da coreana com a Brasil Máquinas (BMC), que terá 25% do capital da fábrica. As duas empresas também farão uma outra associação, voltada para a comercialização dos equipamentos. A previsão é de que a fábrica crie 500 empregos diretos em Itatiaia.

Nacionalização. Segundo Felipe Cavalieri, presidente da BMC, a fábrica poderá ainda atrair fornecedores para o seu entorno, caso não consiga suprimentos na indústria nacional, para manter o índice mínimo de nacionalização dos produtos (60%) - pré-requisito para ter as vendas financiadas pelo BNDES. O executivo informou ainda que a intenção é destinar 60% da produção da fábrica de Itatiaia para o mercado interno e exportar o restante para a América Latina.

A assinatura do protocolo foi realizada no Palácio Guanabara, diante do governador do Rio, Sérgio Cabral, a quem disseram terem decidido pelo Rio por causa de incentivos fiscais como a redução de ICMS. O grupo coreano chegou a cogitar levar a fábrica para EUA e Rússia. Cabral e o secretário de Desenvolvimento do Rio, Júlio Bueno, defenderam o que costuma ser criticado como "guerra fiscal". Para eles, os incentivos são uma forma de estados ajudarem a aumentar a competitividade do País.

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