IATA se diz preocupada com o processo de privatização de aeroportos no Brasil

Associação aponta falta de transparência no processo e afirma que modelo não tem sido apreciado por companhias do setor

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2014 | 08h17

GENEBRA - A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) critica o modelo de privatização dos aeroportos brasileiros e pede "transparência" na condução do processo. 

Tony Tyler, CEO da entidade que reúne as 280 maiores empresas aéreas do mundo, deixa claro que apoia a pressão que existe no Brasil para acelerar a privatização de aeroportos tendo em vista os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Mas alerta que o modelo não tem sido apreciado pelas empresas do setor. "Estamos preocupados com a privatização e com o processo de concessão", declarou. "As consultas (realizadas pelo governo) com as empresas foram inadequadas", disse. 

Um dos principais obstáculos é a forma pela qual a Anac vai monitorar esse processo. "Queremos colaborar com a Anac no monitoramento", explicou Tyler. 

Segundo ele, o pacote de concessão tem, em certas partes, uma "regulação robusta". "Existem regras sobre tarifas, com fórmula de preços, produtividade e ajuste de inflação", disse. "Mas muitos aspectos não está regulado como queremos", alertou.  

Transparência. Questionado sobre as suspeitas de corrupção que pairam sobre a Infraero, Tyler preferiu não comentar diretamente. Mas deixou claro que insiste que "é importante que projetos sejam feitos de forma transparente". 

No último dia 3, a reportagem do Estado revelou que o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça, da Toyo Setal, relatou à Polícia Federal possível pagamento de propina na Infraero, em troca de um contrato para obras no Aeroporto de Brasília.

Em depoimento prestado no último dia 30 de outubro, no âmbito da Operação Lava Jato, Mendonça disse que, 12 anos atrás, foi informado por um dos acionistas da Construtora Beter, contratada pela estatal para fazer instalações elétricas no terminal, de que haveria pagamento de "comissões" ao ex-presidente da Infraero Carlos Wilson. Morto em 2009, Wilson dirigiu a estatal entre 2003 e 2006.

Em nota, a estatal informou que apura quaisquer acusações sobre irregularidades, quando oficializadas. "A Infraero sempre colabora com os órgãos de controle", acrescentou.

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