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Ibas termina com agenda de cooperação mais retórica que prática

Último evento da diplomacia entre países emergentes do governo Luiz Inácio Lula da Silva antes das eleições de outubro, a Reunião de Cúpula do Fórum Ibas (Índia, Brasil, África do Sul) encerrou-se nesta quarta-feira, ao final de seis horas de discussões, com uma agenda de cooperação mais retórica que prática. O resultado expresso no comunicado final do encontro, com 64 tópicos, trouxe posições comuns sobre temas difíceis, como a defesa da energia nuclear para fins pacíficos, a condenação aos atos terroristas e a insistência pela reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.Mas resultou em pouca substância para o fortalecimento, em curto prazo, do comércio e dos investimentos de lado a lado e mesmo para aliviar a larga diferença entre as taxas de crescimento das três economias. O comércio trilateral alcançou US$ 7 bilhões neste ano e traz como meta US$ 10 bilhões em 2010. Mas as economias mostram graus de vigor bastante distintos. Se o crescimento no Brasil ficou em 2,3% em 2005, a atividade da Índia expandiu-se em 7,6%, e a da África do Sul, em 4,6% . Alheio a esse cenário, o presidente Lula mostrou-se à vontade para alardear a "irradiação regional e a projeção social" das três democracias nas suas respectivas regiões e a relevância do papel que "cabe ao Sul" nos "principais debates e decisões internacionais". Eufórico, o presidente destacou, em seu terceiro e último discurso da reunião, "a dimensão da grandeza" desse primeiro encontro do Ibas, sua potencialidade econômica e seu reflexo no fortalecimento da relação Sul-Sul. Depois, atacou os críticos da sua política externa."Nosso engajamento no Ibas reflete a prioridade que sempre dei às relações entre países em desenvolvimento", afirmou na abertura da reunião de cúpula. "O que queremos, com o Ibas e outras iniciativas, é aproveitar melhor as oportunidades de cooperação Sul-Sul antes inexploradas. Isso não quer dizer que o Brasil vá descuidar das relações com o mundo desenvolvido", completou.No discurso anterior, durante o encontro dos chefes de Estado com os empresários, o presidente preferiu o improviso. Descartou o texto preparado previamente, que trazia uma dura crítica aos que se opõem à orientação da política externa de seu governo, mas endossou a sua divulgação à imprensa posteriormente. "Em nosso país surgem, por vezes, vozes que consideram nossa diplomacia comercial como ´terceiro-mundista´, vozes que parecem ser contrárias ao adensamento das relações Sul-Sul", diz o texto. "Não sei se na Índia ou na África do Sul também existe esse mesmo tipo de visão equivocada e reducionista", acrescenta. Em seguida, o texto ensina que "trata-se de estratégia complementar" e de um "instrumento de afirmação" de ex-colônias européias no período da Guerra Fria.O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, fizeram eco às declarações do anfitrião da Cúpula. "Aqueles que não têm visão global podem achar que os três países são concorrentes entre si. Mas acabam vendo que há oportunidades para todos. Com essa cooperação, podemos superar as ameaças", afirmou. "A idéia do Ibas é sem precedente", animou-se Singh.Substância O encontro prévio dos chefes de Estado com empresários dos três países e a própria declaração final do Fórum Ibas deram a dimensão real da reunião de cúpula capitaneada pelo presidente Lula. Sem a possibilidade de lançar uma negociação de um acordo de livre comércio entre a Índia, o Mercosul e a União Aduaneira da África Austral (Sacu) neste momento, os três líderes preferiram manter os acertos limitados de redução de tarifas no comércio e criar um grupo de trabalho para analisar um possível tratado de liberalização.Na área comercial, apenas foram assinados acordos de cooperação na área de transporte marítimo, de facilitação das trocas de bens e de energia renovável - dentro da estratégia brasileira de promover a produção de etanol e biodiesel em vários países em desenvolvimento. Um tanto escondido no documento final, no capítulo sobre o uso pacífico da energia nuclear, está a possibilidade de cooperação entre os três países nessa área. Além disso, foram firmados apenas acordos de cooperação nas áreas agrícola, de saúde, de ciência e tecnologia, de saúde, de sociedade de informação e de desenvolvimento social.O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, destacou que o Ibas abrirá oportunidades futuras para os setores do agronegócio, da energia, da tecnologia da informação, farmacêutico, de biotecnologia e de pesquisa e desenvolvimento. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos (Anfavea), Rogélio Goldfarb, mostrou-se especialmente interessado nas perspectivas que os mercados indiano e sul-africano abrem para o aumento da escala de produção para as montadoras, as indústrias de autopeças e as usinas de etanol brasileiras. Mas cobrou maior "velocidade" na construção da aliança trilateral.

Agencia Estado,

13 de setembro de 2006 | 19h38

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